Thiago@ndrade :
Tem dias que eu acordo com uma vontade inexplicável, quase filosófica, de devorar um prato… mas não é só um prato, não. É um prato com outro prato dentro, que já vem com mais outro prato pronto, e mais um por cima, tipo uma torre gastronômica do caos. É como se a comida estivesse dizendo: “hoje você não vai escolher, você vai abraçar tudo de uma vez”. E eu abraço mesmo. Misturo sem cerimônia, sem julgamento, sem saber onde começa o arroz e onde termina a sobremesa. Se der pra jogar tudo numa panela de pressão então… pronto. Aí virou experiência científica. Alta pressão, alta expectativa e zero controle emocional.
E não para por aí. Porque junto com essa fome meio existencial, vem também uns delírios estranhos. Quanto mais a ansiedade sobe, mais minha mente resolve brincar comigo. Eu começo a evitar olhar muito pras paredes… vai que, né? Porque quando eu passo perto delas, bate um medo real de, sei lá, dar uma dentada na quina sem perceber. Tipo um impulso primitivo, uma vontade de “arrazoar” tudo — comida, pensamento, até reboco.
E o pior é depois.
Quando esse surto passa, eu volto à consciência, respiro fundo, olho em volta… e lá estou eu, encarando a parede. Observando aquelas pontinhas meio quebradas, aquela quina suspeita, como se tivesse acontecido um crime arquitetônico. E aí vem o pensamento: “pera… isso já tava assim… ou fui eu que… comi um pedaço da parede?”
Aí eu fico em silêncio. Pensativo. Com um leve gosto de dúvida… e talvez de cimento.
2026-04-12 01:24:29