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user8103284716331
Ñîkkah👺🧑‍🍳🧑‍Tõñdrezz 🍗🍗 :
my dream school
2025-03-15 13:26:15
2
abby_joy1234
abby :
my brother shool
2026-03-08 15:45:33
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COLLO 254 :
ngori😏
2024-11-27 21:44:32
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2024-11-05 05:58:37
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coxdemore
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Bie😂
2024-12-06 14:21:10
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Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come.  Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória.  Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.
Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come. Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória. Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.

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