@thisisnotashleyrodriguez: Blurry cam 😅

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notkaleanoel
kalea noel :
Girl you’re glowingg
2024-10-13 06:08:41
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cheezewiz5
Mya :
SKURT 😩
2024-10-13 09:56:56
1
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O inferno não existe. E no fim dos tempos, todos serão salvos. Essa era a doutrina da apocatástase, defendida por Orígenes e depois enterrada pela ortodoxia. Porque no lugar da reconciliação, entrou o medo. Só que esse inferno não veio da Bíblia, Jesus falava de Guéna, um vale real nos arredores de Jerusalém, os apóstolos usavam palavras como Hades e Tártaro, tiradas da mitologia grega. Nenhuma dessas palavras significava um inferno eterno como a gente imagina hoje. Essa imagem veio depois, construída aos poucos. Primeiro, na patrística, quando a escola de Antioquia, mais literalista e jurídica, venceu a tradição de Alexandria, que era simbólica e pedagógica. Depois na escolástica medieval, com uma teologia baseada em pecado, castigo e mérito. Sua ideia era organizar a fé como se fosse um tribunal, assim o inferno virou sentença. Foi aí que a arte entrou. Dante, na Divina Comédia, transformou essa teologia num código penal espiritual, inferno com círculos, penas e categorias morais. Depois veio John Milton, em O Paraíso Perdido, quem deu ao diabo um rosto humanizado, uma alma e uma tragédia. A partir deles, o inferno e o diabo viraram imagem fixa: um lugar onde se queima pela eternidade, com tridente, enxofre e um Satã encarnado. Mas essa imagem não veio da revelação. Veio de séculos de medo, política e poder. Como explica Elaine Pagels, o Satã que conhecemos hoje é uma construção teológica e ideológica, criada para definir inimigos, acusar opositores e fortalecer a ortodoxia. E como mostra o estudo sobre a demonologia cristã, o inferno foi e ainda é usado como instrumento de controle social, uma pedagogia do pavor. referências bibliográficas: SINHA, Parthiva. A Comparative Analysis of Hell Presented by Dante Alighieri, John Milton and James Joyce. Global Journal of Arts, Humanities and Social Sciences, v. 10, n. 4, p. 63–66, 2022. PAGELS, Elaine. The Origin of Satan: How Christians Came to Demonize Jews, Pagans, and Heretics. New York: Vintage Books, 1996. SILVA, W. F. da. Imaginário do Medo: Demonologia, Pecado e Controle Social na Cultura Cristã Ocidental. Revista ReVLeSa, v. 4, n. 7, 2021.@Felipe Gini
O inferno não existe. E no fim dos tempos, todos serão salvos. Essa era a doutrina da apocatástase, defendida por Orígenes e depois enterrada pela ortodoxia. Porque no lugar da reconciliação, entrou o medo. Só que esse inferno não veio da Bíblia, Jesus falava de Guéna, um vale real nos arredores de Jerusalém, os apóstolos usavam palavras como Hades e Tártaro, tiradas da mitologia grega. Nenhuma dessas palavras significava um inferno eterno como a gente imagina hoje. Essa imagem veio depois, construída aos poucos. Primeiro, na patrística, quando a escola de Antioquia, mais literalista e jurídica, venceu a tradição de Alexandria, que era simbólica e pedagógica. Depois na escolástica medieval, com uma teologia baseada em pecado, castigo e mérito. Sua ideia era organizar a fé como se fosse um tribunal, assim o inferno virou sentença. Foi aí que a arte entrou. Dante, na Divina Comédia, transformou essa teologia num código penal espiritual, inferno com círculos, penas e categorias morais. Depois veio John Milton, em O Paraíso Perdido, quem deu ao diabo um rosto humanizado, uma alma e uma tragédia. A partir deles, o inferno e o diabo viraram imagem fixa: um lugar onde se queima pela eternidade, com tridente, enxofre e um Satã encarnado. Mas essa imagem não veio da revelação. Veio de séculos de medo, política e poder. Como explica Elaine Pagels, o Satã que conhecemos hoje é uma construção teológica e ideológica, criada para definir inimigos, acusar opositores e fortalecer a ortodoxia. E como mostra o estudo sobre a demonologia cristã, o inferno foi e ainda é usado como instrumento de controle social, uma pedagogia do pavor. referências bibliográficas: SINHA, Parthiva. A Comparative Analysis of Hell Presented by Dante Alighieri, John Milton and James Joyce. Global Journal of Arts, Humanities and Social Sciences, v. 10, n. 4, p. 63–66, 2022. PAGELS, Elaine. The Origin of Satan: How Christians Came to Demonize Jews, Pagans, and Heretics. New York: Vintage Books, 1996. SILVA, W. F. da. Imaginário do Medo: Demonologia, Pecado e Controle Social na Cultura Cristã Ocidental. Revista ReVLeSa, v. 4, n. 7, 2021.@Felipe Gini

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