@ninaunratedtiktok: BIG SAUSAGE BITES. @UMI

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Saturday 19 July 2025 17:45:14 GMT
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Comments

txatia
q :
i thought… you thought…. WE thought….
2026-05-25 15:02:20
117
sakurausagi0
Sakura :
2025-08-24 17:06:24
553
ttmhadis
TTM|HADIS :
let's scroll together
2026-05-27 20:17:00
24
itzzz_ur.kean
itzzz_ur kean :
you searched sasauge mukbang right 😳
2026-06-03 13:30:38
16
omar.ghzz
Omar.LSK :
Muscle memory
2026-07-05 13:02:19
2
revnet.dino2
Revnet Dino :
2026-06-30 03:09:42
13
_dley509
Dley Style :
2025-07-20 23:13:13
59
picchiorosso30
accontento a tutte :
piano...sei affamata?
2025-08-05 15:57:37
2
cricri250669
Christophe :
j'imagine qu'il n'y a pas de gaspillage 😊🌸tu es superbe 🥰🌺🩵
2025-08-07 05:32:25
1
betodoz
B•£•T•O•. D•O•Z• :
2025-12-20 22:07:59
4
sonnyindeed
Sonny :
please don't stop
2025-07-20 00:15:59
4
serj8187
✞✟𝚂̶𝚎̶𝚛̶𝚓̶✟✞ :
Тренировки дают знать
2026-06-09 17:29:44
2
moin_eugen
Eugen Moin 2 :
Профессионализм не пропьешь 😁👍
2025-07-19 17:50:24
7
tony.soprano693
Anthony Soprano :
Not her 1st Rodeo.
2025-07-25 15:31:17
6
user782599497742
user782599497742 :
Хорошо знает своё дело 😂😂😂
2025-08-04 20:58:32
3
sevilenfevzi
Sevilen Fevzi :
489.000 km 💀
2025-07-19 18:09:01
3
shanemorgan51
shane morgan :
ah nice brown
2025-07-22 22:06:09
2
user72469827
. :
TROPPO BELLO PERO DICO SOLO CIAO OK CAPITO SI OK CIAO BRLLISSIMA
2025-07-19 19:08:07
3
bmwbbc
BMWBBC :
That's bad then crunch 😳😎🔥
2025-07-19 18:26:27
2
annachilangabanda
Anna Chilangamichoaca🇺🇸🇲🇽 :
Jajaj me inahino los del restaurant jeje
2025-07-22 02:14:04
1
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Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come.  Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória.  Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.
Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come. Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória. Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.

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