Descolorido Fortes :
Ele sempre achou que, se se esforçasse o bastante, talvez alguém o notasse. Talvez um olhar, um gesto, uma palavra qualquer bastasse pra provar que ele existia pra além do silêncio. Mas ninguém olhava. Ninguém via o garoto por trás dos sorrisos forçados, das notas boas, das piadas ensaiadas pra disfarçar o vazio.
Enquanto os outros seguiam em grupos, rindo e se pertencendo, ele se encolhia num canto, tentando caber no espaço entre as sombras e a esperança. Não doía só a solidão, doía ser invisível dentro de um mundo que parecia sempre ocupado demais pra perceber o quanto ele gritava por dentro.
Ele aprendeu cedo a esconder a dor. A esconder o cansaço. A engolir o choro antes que alguém percebesse. Porque ninguém queria ver. Ninguém queria saber.
E assim foi virando um especialista em se calar, em fingir que estava tudo bem, enquanto o coração, cansado e pesado, se desfazia em silêncio.
No fundo, ele nunca quis ser o melhor, o mais inteligente, o mais forte ou o mais admirado. Ele só queria que alguém dissesse: “eu te vejo.”
Mas ninguém disse.
E então ele aprendeu a desaparecer de vez — como quem aceita que ser invisível dói menos do que ser ignorado.
2025-11-30 01:21:39