nycolas. 💱 :
O mundo tem uma maneira silenciosa e implacável de ser cruel. Não com o estrondo de trovões ou a violência escancarada, mas com uma frieza cotidiana, com o peso das pequenas ausências, das esperas que nunca terminam, das promessas que se dissolvem no tempo. A crueldade do mundo está na forma como ele continua girando, indiferente às nossas dores mais íntimas, às nossas batalhas invisíveis, aos gritos abafados por trás de uma rotina que exige eficiência e leveza, mesmo quando tudo dentro de nós está desmoronando.
Há um vazio que nos acompanha — sutil, quase imperceptível nas primeiras horas do dia, mas que vai crescendo conforme o tempo passa. É como uma sombra que se estica no silêncio entre uma conversa e outra, no espaço que sobra entre um gesto de carinho e a ausência dele. Esse vazio não tem forma exata, nem um nome que o defina por completo. Mas sabemos que ele está lá quando, ao final do dia, mesmo depois de tantos risos, sentimos um cansaço que não vem do corpo, mas da alma.
E os risos, ah, os risos. Quantas vezes eles são apenas um verniz, uma maquiagem sobre a tristeza crua? Rimos como defesa, como alívio, como tentativa desesperada de dar sentido ao absurdo. Rimos para os outros, para que não perguntem demais, para que não vejam o que carregamos por dentro. E às vezes, até acreditamos nesse riso por um instante — como quem toma um gole de água num deserto, mesmo sabendo que a sede voltará logo depois.
Vivemos cercados de exigências: seja forte, seja produtivo, seja feliz. Mas ninguém ensina a lidar com o vazio. Ninguém ensina a suportar a solidão que sentimos mesmo em meio a multidões. O mundo quer resultados, não confissões. Ele quer que você sorria, mas não que você diga que está tudo ruindo por dentro.
2025-11-05 01:09:13