Thales :
A proposta do ENEM e das universidades públicas é, em teoria, democratizar o acesso ao ensino superior. Mas, na prática, isso não acontece. O ENEM não é uma prova pensada para estudantes de baixa renda, muito menos para quem estudou a vida inteira em escolas públicas com estrutura precária, falta de professores e conteúdo defasado. Esses estudantes chegam ao final do ensino médio sabendo que não aprenderam grande parte do que a prova cobra.
E aí surge um cenário desigual: enquanto o aluno pobre tenta competir usando a educação limitada que recebeu, do outro lado estão os filhos de médicos, advogados e outras famílias com alta renda — jovens que passaram anos em cursinhos especializados, com professores particulares e ambiente totalmente voltado para aprovação. A competição fica completamente injusta.
Além disso, quando finalmente alguém de baixa renda consegue entrar em uma universidade pública, enfrenta outro obstáculo: ou estuda, ou trabalha para sobreviver. Não dá para conciliar as duas coisas com facilidade, principalmente em cursos integrais, que exigem dedicação de tempo e energia. As universidades públicas, apesar de gratuitas, muitas vezes têm estruturas e rotinas que dificultam a permanência dos estudantes mais pobres. As carteiras são ESTUPIDAMENTE bagunçadas.
O ENEM também é emocionalmente desgastante. É uma prova extremamente pesada, que mexe com o psicológico de qualquer pessoa. Muitos estudantes entram na sala já sentindo que estão em desvantagem.
A minha própria família mostra como esse sistema exclui: minha tia zerou a redação do ENEM na época dela, não conseguiu pontuação para universidade pública, e mesmo assim virou advogada — pagando uma faculdade privada com o próprio esforço. Isso reforça a ideia de que as tais “oportunidades” do governo não funcionam como deveriam. No fim das contas, ENEM e universidade pública definitivamente não são acessíveis para todos.
2025-11-15 22:06:08