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Dediquei essa música a ela, à minha primeira namorada. Sentamos naquele banco como quem teme o próprio coração, cada um de um lado, o silêncio pesado, a vergonha ocupando mais espaço do que nossos corpos. Os olhos fugiam, as mãos tremiam, e o mundo parecia suspenso naquele instante frágil. Até que eu dei o primeiro passo, avancei com medo, mas avancei, e então nos beijamos pela primeira vez, o momento em que tudo deixou de ser antes. No caminho de volta pra casa, essa música me acompanhou, tocando enquanto eu andava, e cada nota parecia guardar tudo aquilo que eu jamais conseguiria dizer em voz alta. Naquela noite eu entendi que algumas memórias não se apagam, apenas aprendem a doer em silêncio. Hoje ela está com outro, e eu não sigo em frente. Ela se foi, e eu fiquei. Fiquei parado, olhando a correnteza passar, vendo a água levar tudo o que a gente nunca chegou a ser, sentindo que o tempo segue, mas não me leva junto. Eu continuo aqui, preso naquele banco, naquele beijo, naquela música que insiste em tocar dentro de mim. Talvez seja isso, algumas pessoas passam pela nossa vida como um rio, não ficam, mas nos ensinam para sempre o som da água indo embora.
2025-12-27 23:44:31