João :
Ai, véi… juro.
Juro que a vida às vezes parece um corredor longo demais para pernas cansadas, onde a gente anda sem saber se está indo para algum lugar ou apenas se afastando de si mesmo. Tudo soa cheio, mas por dentro é um eco — um vazio educado, silencioso, que não grita, só permanece.
Juro que, no fundo, somos quase nada tentando se convencer de que somos muito: acumulamos gestos, promessas, palavras, como se isso pudesse tapar o buraco da insignificância. Mas o mundo segue indiferente, girando sem notar nossas urgências, e nós seguimos junto, fingindo que isso tem um sentido definitivo.
Ai, véi… juro que existir é esse acordo estranho com o vazio: aceitar que não somos o centro, que talvez não sejamos nem nota de rodapé, e ainda assim levantar todos os dias, como quem insiste em acender uma luz num quarto que ninguém vai ver. E talvez seja só isso mesmo — não a grandeza, mas a teimosia silenciosa de continuar, mesmo sabendo que tudo, no fim, cabe em quase nada.
2025-12-30 17:01:48