Fabrício Fonoaudiólogo :
Na área da linguagem, que historicamente é um campo majoritariamente ocupado por profissionais do gênero feminino, já houve situações em que mães relataram que a filha “não se adaptava” ao atendimento com um terapeuta do gênero masculino, optando pela troca de profissional.
Entretanto, ao longo do processo terapêutico, observou-se que a criança/paciente desenvolveu forte vínculo e boa conexão com terapeutas masculinos, demonstrando que a dificuldade não estava, de fato, na aceitação da criança ao gênero masculino, mas sim no nível de conforto e expectativa da própria mãe em relação a esse profissional.
Entendo que a troca de terapeuta pode ser uma opção válida quando há prejuízo real no vínculo terapêutico; contudo, não concordo com essa conduta quando ela se baseia exclusivamente em percepções ou inseguranças do responsável, e não nas respostas clínicas da criança.
Outro ponto relevante é que há pacientes que apresentam melhor adaptação e maior responsividade com profissionais do gênero masculino, muitas vezes por associarem esse terapeuta a uma figura que transmite maior sensação de autoridade, organização ou referência. Ressalto que essa preferência não é uma regra e tampouco um valor pessoal meu, mas sim uma característica observada em determinados perfis de pacientes, baseada exclusivamente no interesse e na resposta terapêutica de cada um.
2026-02-18 06:08:48