Castro :
Triste ver um pai implorando atenção da filha... Xuxa já falou publicamente sobre o arrependimento de ter se afastado da própria irmã por divergências políticas. E isso deveria fazer qualquer pessoa refletir sobre o perigo de transformar uma diferença de pensamento em um rompimento definitivo. Agora, olhando para o caso de Nicole, é impossível não perguntar: que tipo de “honra” é essa que permite abandonar um pai simplesmente porque ele é quem é?
Eu também sou cristão e acredito na Palavra, inclusive no princípio de honrar pai e mãe. Mas honrar pai e mãe não deveria significar abandonar, rejeitar ou romper com um deles por aquilo que ele é. E muito menos acredito que Deus peça a um filho que trate o próprio pai como alguém indigno de amor por causa da orientação sexual dele.
O mais triste é ver um homem que já enfrentou um AVC, que sempre demonstrou amor pela filha e que hoje se vê questionando onde errou, carregando uma culpa que não é dele. Isso não é pouca coisa. É uma pessoa sofrendo.
Fé não deveria nos tornar menos humanos. Pelo contrário. Se a nossa interpretação da religião nos faz olhar para um pai destruído emocionalmente e dizer “ele merece isso”, talvez seja hora de rever não Deus, mas a maneira como estamos interpretando aquilo que acreditamos.
Você pode escolher sua fé, suas convicções e os caminhos que quer seguir na sua própria vida. Mas isso não deveria significar transformar seu pai em alguém que merece ser abandonado por ser quem é. E, sinceramente, depois que uma pessoa vai embora, bloqueia, corta todos os vínculos e a vida segue, ninguém sabe se amanhã ainda existirá uma oportunidade de dizer “eu te amo” novamente.
2026-08-30 16:11:44