Cayo Eduardo :
Meu primeiro aquário foi um pequeno tanque de 9 litros, com cascalho de rio como substrato e algumas plantinhas artificiais. Eu também tinha um filtro hang-on e um termostato de segunda mão. Tudo aquilo existia por um único motivo: meu bettinha Red Dragon, o Lucius — nome inspirado no pai do Draco Malfoy, de Harry Potter.
Na época, eu era apenas estagiário e ganhava muito pouco, isso por volta de 2017. Ainda assim, passei quase seis meses juntando dinheiro para comprar tudo da forma mais correta possível. Quando finalmente concluí a ciclagem e coloquei o Lucius no aquário, a primeira coisa que fiz foi fotografá-lo. Tomado pelo entusiasmo e orgulho, enviei as fotos para um grupo de aquaristas do qual eu participava no whatsapp.
Aquele foi meu pior erro.
As críticas e zoações vieram em avalanche. Em poucos dias, eu havia perdido completamente a vontade de continuar no hobby. Enquanto isso, os outros membros exibiam seus aquários gigantes, montagens profissionais e sistemas de água salgada. Eu me sentia insignificante. Sempre que tentava puxar conversa, pedir dicas ou aprender algo novo, era ignorado — quando não virava alvo de piadas.
O Lucius viveu quase três anos e meio. Acredito que morreu velhinho, cercado de cuidado e carinho. Depois dele, perdi o prazer pelo aquarismo e passei a me contentar apenas em assistir vídeos sobre o tema.
Infelizmente, muitos daqueles que estão há mais tempo no hobby — e que, justamente por isso, deveriam acolher iniciantes — acabam sendo os mais ignorantes e soberbos. Querendo ou não, essas atitudes sufocam o interesse de quem está começando e afastam pessoas que só queriam aprender e compartilhar algo simples: o encanto de cuidar de vida dentro de um pequeno aquário.
2026-02-22 04:35:30