Leandro Hackamann :
Comprar imóvel em leilão para gerar renda e usar esse dinheiro para acelerar um consórcio parece, à primeira vista, uma estratégia inteligente de crescimento patrimonial. Mas, na prática, ela carrega riscos bem reais que muita gente ignora — e que podem transformar um plano promissor em dor de cabeça.
O primeiro grande risco está na posse do imóvel. Nem sempre a casa comprada em leilão está desocupada. Em muitos casos, há moradores — antigos proprietários ou inquilinos — e a retirada deles pode exigir um processo judicial demorado. Durante esse período, você não consegue alugar o imóvel, ou seja, não entra dinheiro, mas as despesas continuam existindo.
Outro ponto crítico são as dívidas ocultas. Dependendo do tipo de leilão, o imóvel pode vir com débitos de IPTU, condomínio ou contas atrasadas. Se você não analisar bem o edital, pode acabar assumindo uma dívida que não esperava — o que compromete totalmente o fluxo de caixa que você contava para pagar o consórcio.
Além disso, há o risco da expectativa de aluguel não se concretizar. Nem todo imóvel é fácil de alugar, principalmente se estiver em localização menos valorizada, com problemas estruturais ou em regiões com baixa demanda. Você pode ficar meses com o imóvel parado, sem renda, tendo que arcar com custos e ainda pagar o consórcio do próprio bolso.
Também existe o risco de inadimplência do inquilino, algo que você já conhece bem na prática. Contar com o aluguel como fonte garantida para pagar o consórcio é perigoso, porque basta um atraso ou calote para desequilibrar todo o planejamento. E despejo no Brasil pode demorar, principalmente se houver complicações jurídicas.
Outro fator importante é o custo de regularização e reforma. Muitos imóveis de leilão precisam de investimento para ficarem habitáveis ou atrativos para locação. Isso exige capital inicial — e se você não tiver essa reserva, pode acabar travando o projeto logo no começo.
Por fim, há o risco estrutural da própria estratégia: ela depende de um efeito dominó financeiro. Ou seja, um ativo (o aluguel) precisa sustentar outro compromisso (o consórcio), que por sua vez depende de contemplação para gerar um novo ativo. Se qualquer etapa falhar
2026-05-03 22:13:29