Camila Correia :
O salário não acompanhou o aumento absurdo do custo de vida. Antes da pandemia, eu estava procurando um apartamento para comprar. Na época, o mesmo apartamento que eu via custava em torno de R$ 200.000. Poucos meses depois, logo após a pandemia, esse mesmo imóvel passou a valer cerca de R$ 300.000.
Foi nesse período que eu consegui comprar o meu apartamento. Porém, agora, apenas dois anos depois da compra, unidades idênticas — no mesmo condomínio, com o mesmo padrão, sem qualquer melhoria estrutural, sem valorização real do bairro ou qualquer fator concreto que justificasse — estão sendo vendidas por R$ 450.000. Ou seja, mais que o dobro do valor de alguns anos atrás.
E isso não aconteceu só com apartamentos. Na mesma época, eu também pesquisava casas. Um ano antes, casas semelhantes custavam cerca de R$ 300.000. Quando fui comprar, já tinham subido para R$ 400.000. Hoje, essas mesmas casas, nos mesmos bairros, sem mudanças significativas, estão sendo anunciadas por R$ 650.000.
Não houve nenhuma transformação estrutural, urbana ou econômica que justificasse um aumento tão expressivo em tão pouco tempo. O que houve foi, basicamente, uma elevação generalizada de preços.
Enquanto isso, a renda das pessoas não acompanhou esse crescimento. Os salários, principalmente quando se fala em salário mínimo, não tiveram um aumento proporcional. E o resultado disso é muito claro: quem tinha condições de comprar um imóvel há dois anos, hoje já não consegue mais.
Ou seja, o acesso à moradia e a tudo, ficou muito mais difícil em um curto espaço de tempo, não porque os imóveis melhoraram, mas simplesmente porque os preços dispararam de forma desproporcional à realidade financeira da população.
2026-04-22 18:38:17