José Erivaldo Ferrei :
Não, o uso de travessão não é “prova” de uso de IA. Isso virou um tipo de paranoia de internet recente. O travessão é um recurso legítimo da escrita em português — usado há muito tempo em literatura, jornalismo, ensaio acadêmico e texto argumentativo.
Autores como Machado de Assis, Clarice Lispector e Graciliano Ramos utilizavam construções longas, interrupções, pausas e marcas gráficas sofisticadas muito antes de existir IA.
O problema é que algumas pessoas passaram a associar:
travessão,
ponto e vírgula,
texto muito organizado,
vocabulário formal,
parágrafos bem estruturados,
com inteligência artificial. Mas isso não tem validade técnica séria.
Inclusive, revisores automáticos do:
Microsoft Word
Google Docs
LanguageTool
Grammarly
corrigem automaticamente:
cedilha,
pontuação,
espaços,
travessões,
aspas,
vírgulas,
acentuação.
Ou seja: a própria tecnologia de escrita moderna já interfere no estilo textual o tempo inteiro.
Além disso, detectores de IA são extremamente falhos. Universidades e pesquisadores já mostraram muitos falsos positivos — especialmente em textos:
acadêmicos,
formais,
jurídicos,
técnicos,
escritos por pessoas que usam norma culta.
Você não precisa “empobrecer” sua escrita para parecer humano. Se o travessão faz sentido no seu estilo argumentativo, mantenha. O importante é:
coerência,
autoria intelectual,
domínio do tema,
capacidade de sustentar argumentos.
Ferramenta de correção ortográfica não elimina autoria. Ela apenas ajusta forma — não produz experiência, repertório, pesquisa ou reflexão.
2026-05-12 15:19:56