@cinhaaugusto: Gravei esse vídeo pensando no caso brutal da menina de 12 anos vítima de violência coletiva em Campo Grande. Mas também pensando em tudo o que existe antes desses casos extremos acontecerem. Outro dia falei aqui sobre um casal que encontrei numa sorveteria. A menina servia o rapaz, num movimento tão automático que me fez pensar sobre os papéis que ensinamos desde cedo para meninas e meninos. Meninas aprendem a servir, agradar, ceder. Meninos, muitas vezes, não aprendem sobre cuidado, limites, responsabilidade emocional e respeito. E talvez muita gente ache exagero ligar uma coisa à outra. Mas eu não acho. Porque a violência não começa no extremo. Ela começa na cultura, de forma sútil. No que normalizamos. No que ensinamos. No que silenciamos. Existe um ditado que diz que é preciso uma comunidade inteira para educar uma criança. Mas hoje parece que ninguém quer assumir responsabilidade coletiva por elas. A gente não pensa mais nas nossas crianças como responsabilidade social. Cada um segue sua vida enquanto casos absurdos acontecem diante dos nossos olhos. E o que mais me assusta é o quanto estamos anestesiados. Parece que ninguém consegue mais sentir revolta suficiente para se mover. Para cobrar. Para ir às ruas. Para pressionar. Para proteger. Por 20 centavos houve mobilização nacional. Hoje temos crianças sendo violentadas, mulheres sendo mortas, políticos defendendo o indefensável, ataques às pautas de proteção às mulheres, ataques às leis contra misoginia… e a sensação é de silêncio. Estamos engessados. E enquanto isso, cresce um conservadorismo que impede debates urgentes porque tudo vira disputa ideológica ou questão religiosa. A gente trava discussões fundamentais em nome de um falso moralismo. Não temos educação sexual nas escolas. Não debatemos violência de gênero de forma séria. Não ensinamos crianças sobre consentimento, abuso, proteção e respeito ao próprio corpo. E depois fingimos surpresa diante da barbárie. Educação sexual não é incentivo ao sexo. Debater violência de gênero não é doutrinação. Isso é proteção. É prevenção. É cuidado. Porque nenhuma criança deveria depender da sorte para estar segura. #violenciacontraamulher #educacao #politicaspublicas

Cinha Augusto
Cinha Augusto
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Monday 18 May 2026 21:53:54 GMT
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shjdkkhd6
humm :
como você viu 🤨
2026-05-19 19:12:38
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