Priscila Oliveira :
Infelizmente, existe o “plantão que não pode parar”, o “estágio que há I flexibilidade desigual”. E chega um momento em que, mesmo quando você decide não permanecer mais em silêncio, às vezes isso ainda não basta, porque simplesmente não querem ouvir.
Eu também estou em silêncio. E, embora já tenha dito algumas coisas, ainda há muito a ser dito. Espero finalmente conseguir me reerguer um pouco mais do que estou aos poucos, para falar sobre isso.
O mais doloroso é perceber que, mesmo quando você fala, muitas vezes as pessoas estão ocupadas demais para realmente escutar. É o “plantão”, é a busca pela aprovação na residência médica, são inúmeros “motivos” considerados mais urgentes.
A ajuda que verdadeiramente segura sua mão, às vezes, não existe. Porque você escuta frases como “se precisar, estou aqui”, mas será mesmo? Muitas vezes não estão. Afinal, o mais importante parece ser passar naquela prova, conquistar a residência, cumprir o cronograma.
E quando você dá qualquer sinal de que está precisando de ajuda e não encontra acolhimento, torna-se muito mais difícil pedir ajuda novamente.
Então você passa a carregar várias dores ao mesmo tempo: a dor do silêncio, a dor de falar e não ser ouvido, a dor de até ser ouvido, mas perceber que “não há tempo” para fazer algo, porque o cronograma é mais importante, assinar a lista de presença é mais importante, qualquer outra coisa parece mais importante.
No fim, esperam que você continue funcionando. Porque você não pode ficar “doente” por muito tempo. Existe prazo para tudo. Até para sofrer.
2026-05-22 15:36:55