@fahnf_17: #CapCut #الشعب_الصيني_ماله_حل😂😂 #مالي_خلق_احط_هاشتاقات #طششونيي🔫🥺😹💞التخمط🌝💆🏻‍♀️🔫 #اكسبلور

𝐂𝐀𝐌𝐄𝐋𝐋𝐈𝐀^᪲᪲᪲
𝐂𝐀𝐌𝐄𝐋𝐋𝐈𝐀^᪲᪲᪲
Open In TikTok:
Region: IQ
Friday 05 June 2026 09:50:18 GMT
168
49
3
2

Music

Download

Comments

a.bd016
د𖣔ارك :
2026-06-05 12:10:04
1
To see more videos from user @fahnf_17, please go to the Tikwm homepage.

Other Videos

Tem uma segunda camada que não cabia no roteiro e que vale ficar aqui na legenda. A arquitetura do aplicativo não só prende o sujeito no espelho mas paga ele pra ficar lá. Cada notificação é um pagamento, cada curtida no post, comentário no vídeo, alguém fazendo costura, alguém duetando, contador subindo de mil pra dez e pra cem mil visualizações. Cada sinal desses chega como aviso no aparelho e cada aviso é um reforço químico pequeno na cabeça de quem recebe. O desenho vem direto da literatura de cassino, vem da mesma lógica de caça-níquel, recompensa em intervalo variável, você nunca sabe quando vem mas sabe que pode vir e por isso não solta o aparelho. No cassino o que volta pra você é dinheiro, no aplicativo o que vai voltar é a multiplicação da sua própria imagem e o reforço de que você é único e mais importante do que realmente é. Por isso o adolescente que filma usando calça acredita ter inventado calça pois o sistema confirma essa crença mil vezes por dia. Cada notificação avisa que ela foi vista, que ela importou, que ela é o centro do que está acontecendo ali. Ai que voltamos a criança no espelho do Lacan que precisava só do reflexo dela mesma para começar a se constituir. Já a adolescente no TikTok recebe esse mesmo reflexo, mas devolvido em forma de número. Cada um desses números é o espelho dela aumentado e o aparelho garante que esse aumento nunca pare de chegar. O mundo do que veio antes, o mundo onde bordão e giria vem antes, não tem como competir com isso. Afinal, reconhecer que algo é herança  não vibra no bolso e aprender com quem sabe mais não vira gráfico de visualização.  O aplicativo recompensa a fantasia de ter inventado tudo, e não recompensa o reconhecimento de aprender.  Referência: Anna Kornbluh,
Tem uma segunda camada que não cabia no roteiro e que vale ficar aqui na legenda. A arquitetura do aplicativo não só prende o sujeito no espelho mas paga ele pra ficar lá. Cada notificação é um pagamento, cada curtida no post, comentário no vídeo, alguém fazendo costura, alguém duetando, contador subindo de mil pra dez e pra cem mil visualizações. Cada sinal desses chega como aviso no aparelho e cada aviso é um reforço químico pequeno na cabeça de quem recebe. O desenho vem direto da literatura de cassino, vem da mesma lógica de caça-níquel, recompensa em intervalo variável, você nunca sabe quando vem mas sabe que pode vir e por isso não solta o aparelho. No cassino o que volta pra você é dinheiro, no aplicativo o que vai voltar é a multiplicação da sua própria imagem e o reforço de que você é único e mais importante do que realmente é. Por isso o adolescente que filma usando calça acredita ter inventado calça pois o sistema confirma essa crença mil vezes por dia. Cada notificação avisa que ela foi vista, que ela importou, que ela é o centro do que está acontecendo ali. Ai que voltamos a criança no espelho do Lacan que precisava só do reflexo dela mesma para começar a se constituir. Já a adolescente no TikTok recebe esse mesmo reflexo, mas devolvido em forma de número. Cada um desses números é o espelho dela aumentado e o aparelho garante que esse aumento nunca pare de chegar. O mundo do que veio antes, o mundo onde bordão e giria vem antes, não tem como competir com isso. Afinal, reconhecer que algo é herança não vibra no bolso e aprender com quem sabe mais não vira gráfico de visualização. O aplicativo recompensa a fantasia de ter inventado tudo, e não recompensa o reconhecimento de aprender. Referência: Anna Kornbluh, "Immediacy, or The Style of Too Late Capitalism" Verso Books, 2024.

About