Wesley :
HUGO MOTTA: o cara que não precisou de concurso nem de milagre pra virar presidente da Câmara, ele só precisou do DNA. Se você acha que o coronelismo acabou no Brasil, senta aí que eu vou te contar como uma única família manda na mesma cidade desde a época do Império.
Esse bafafá não começou ontem. O Hugo é o produto final de uma dinastia que opera no sertão da Paraíba há quase um século. É a prova viva de que as velhas oligarquias só trocaram o chicote pelo terno de grife.
Olha o tamanho do monopólio em Patos: pelo lado do pai, o avô dele já mandava na cidade nos anos 50. Esse bastão passou pro pai, que hoje está no QUARTO mandato como prefeito. Pelo lado da mãe, o outro avô foi deputado federal e a avó já foi prefeita e tem SEIS mandatos na Assembleia Legislativa. Ou seja, pra ser político ali, você basicamente precisa ser parente deles.
Quando o Hugo Motta enche o peito na TV pra dizer que "almoça e janta política", ele só esqueceu de avisar que o prato principal é o dinheiro público, transformado em mesa de negócios da própria família.
E se você puxar a capivara histórica de sobrenomes como Wanderley, Nóbrega e Motta, o buraco é muito mais embaixo. As raízes dessa galera estão fincadas direto no período colonial do Nordeste, quando ter poder significava ser dono de sesmarias de terra e explorar mão de obra escravizada. Os registros de escravos podem até estar mofando nos cartórios antigos do sertão, mas a história não mente: o topo do Estado continua reservado para os mesmos donos de terra de sempre.
A abolição mudou a lei, os coronéis mudaram de estratégia, mas o curral eleitoral continua o mesmo. O Brasil não mudou, só trocou o figurino.
2026-06-10 21:43:18