@luizemanuelzouain: Há algo profundamente preocupante quando um partido que ocupa a Presidência da República promove eventos para orientar sua militância digital sobre como travar a chamada “guerra de narrativas”. Mais preocupante ainda quando uma das figuras escolhidas para essa tarefa é alguém cuja trajetória política está cercada de controvérsias. A questão não é a disputa de ideias, algo natural em qualquer democracia. O problema é a evidente dupla régua: quando adversários utilizam estratégias de comunicação agressivas, são acusados de atacar a democracia e espalhar desinformação. Quando os aliados fazem o mesmo, a prática ganha um nome mais elegante e passa a ser tratada como estratégia legítima de narrativa. A coerência deveria valer para todos. Se a manipulação da informação é condenável, deve ser condenada independentemente de quem a pratica. Caso contrário, o debate público deixa de ser uma busca pela verdade e se transforma apenas numa disputa pelo poder.