Fürsichsein :
é perceptível alguns ecos da filosofia de Spinoza em Nietzsche, principalmente sobre a questão da moral e da potência criadora. Na Ética (se eu não me engano, no apêndice da parte III ou IV), Spinoza declara que não há uma moral absoluta e independente, mas o mesmo conceito do que é o bom e o mau se dá na medida em que são concebidos como juízo de valor, que passa a essência do homem para uma perfeição maior ou menor. O conatus é a capacidade de perseverar em seu ser, isto é, de manter a essência do que capacita a potência de agir. No apêndice da primeira parte, ele atribui essas formas errôneas de juízo valorativo a uma forma de antropomorfismo teleológico, ou seja, atribuir fim último ao mundo a partir de uma necessidade psicológica própria, como os que dizem que o Sol é feito para iluminar os mares e pescar peixes, que os vegetais e os animais foram feitos para alimentá-los, que os olhos servem para ver, etc.
Há um ponto de interseção interessante com Nietzsche, pois observamos em vários textos, como a própria Genealogia da Moral, que, para além do homem, devemos superar tais valores estabelecidos, o famoso Übermensch, como afirmatividade do trágico. Valores morais não são verdades universais, mas construções históricas criadas por diferentes tipos de homens e a inversão da moral de senhores para a moral de escravos. Se eu não me engano, Nietzsche enviou uma carta também a um amigo afirmando que estava contente de ter um dos maiores precursores, citando Spinoza.
2026-06-16 13:04:35