dario_damiao :
Eu estava lá. Tinha apenas 15 anos e fui cheio de expectativa para viver um momento que deveria ser de alegria. Saí do Gama em um ônibus da Viplan, desci na Rodoviária do Plano Piloto e segui a pé, passando ao lado do Jumbo e pela região da CNB, junto com milhares de pessoas que tinham o mesmo destino.
Meu ingresso era para o gramado, mas logo percebi que a organização estava longe do esperado. A movimentação era caótica, havia empurra-empurra por todos os lados e faltavam orientações claras. Em determinado momento, a cavalaria da Polícia Militar avançou para conter a multidão e acabou empurrando as pessoas em direção à entrada da arquibancada.
No meio daquela confusão, para conseguir acessar o gramado, pulei o fosso. Lembro dos arranhões nos braços e da sensação de medo que tomava conta de todos. O que mais me marcou, porém, foi ver pessoas feridas, algumas bastante machucadas, em meio ao desespero generalizado.
A cada minuto a situação parecia sair mais do controle. O clima de festa deu lugar à apreensão. Eu era apenas um adolescente e, naquele instante, a única coisa que desejava era encontrar uma forma de sair dali em segurança.
Passados tantos anos, a lembrança que permanece não é a do evento em si, mas a da enorme desorganização, do medo coletivo e da sensação de que uma tragédia ainda maior poderia ter acontecido.
2026-06-18 20:10:34