Hewerton Cardoso :
Eu sempre tento entender como os pensadores fizeram a seleção dos aspectos de uma determinada experiência ou conjunto de experiências, e como essa predileção respeita os princípios elementares da lógica, bem como outros axiomas. A impressão que tenho é a de que certos aspectos são escolhidos para cumprir uma demanda por sentido previamente estabelecida, tão carente de uma trajetória autoevidente quanto o da própria predileção dos aspectos. Na ausência de uma estrutura lógica que considere a predominância deste ou daquele aspecto (ou grupo de aspectos) sem desnutrir a influência dos demais, sobra corresponder a um sentido subjetivo, formulado desde uma dissonância cognitiva, ou pressupor uma teoria e encaixar os aspectos mais adequado à sua conclusão, atribuindo à predileção uma espécie de função teleológica — precisamente o que foi criticado. Em outras palavras, o ser humano age sim em função de heranças e aquisições emocionais e psicológicas, retornando a elas. Entretanto, há uma enorme parcela da experiência humana dirigida a fins que, inclusive, negam as estruturas que atuavam sobre a psique do indivíduo, muitas das vezes em uma luta contra elas. A tensão entre os fins e a repetição (ilusoriamente correspondentes aos fins ou não) faz parte da estrutura da realidade humana. Ou seja, não seria necessário que as nossas ações fossem destinadas puramente ao cumprimento de um ‘telos’, para conferirmos legitimidade ao teleológico.
2026-06-25 01:53:48