Nando Rodrigues. :
A gente para, senta e Observa. Com os pés presos à terra, sinto a gravidade do agora pesar no peito enquanto observo você ganhar distância. É um movimento lento, mas implacável. Diante da imensidão, eu paro. Sento e escolho apenas observar.
Olho para o céu e compreendo: nós somos feitos da mesma matéria que as estrelas, sujeitos às mesmas leis invisíveis. Assim como o tecido invisível do universo se expande, afastando as galáxias umas das outras até que se tornem pontos pálidos na noite profunda, vejo o tempo e o espaço criarem seus abismos entre nós. Essa distância que agora se mede em dias, meses e silêncios é a nossa própria expansão cósmica.
Aquilo que fomos vai ganhando razões significativas de afastamento, cruzando a fronteira do que meus braços podem alcançar. Sei que, no fundo, essa separação é uma grande e dolorosa ilusão das dimensões em que vivemos, pois o que foi amor não deixa de existir, apenas muda de coordenada.
Ainda assim, dói ver o horizonte engolir o teu rastro. Então, fecho os olhos e me torno testemunha do meu próprio sentir. Deixo que a saudade queime como uma supernovas e, depois, silenciesse.
Sem lutar, sem prender, sem chamar de volta... eu continuo a observar, e observar, e observar. Até que você se torne constelação na minha memória, e a dor, enfim, se dissipe na infinitude do tempo e espaço.
2026-07-05 14:42:38