@wakisawadogo3:

WAKI Sawadogo
WAKI Sawadogo
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Monday 29 June 2026 22:21:49 GMT
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Comments

ouedraogo.z..t.ma
OUEDRAOGO Z. T Maï :
Si toi même ça ne te fais pas peur qui sommes nous pour avoir peur à ta place
2026-07-18 13:18:58
20
filsnana666
 NANA ℙℍ𝕆ℕ𝔼 STORE🔱 :
La femme est la créature la plus courageuse au monde 😂
2026-07-18 20:48:52
1
madi.saboudo96
Madi Saboudo :
Si c’est pas un dimanche soir c’est un lundi matin très tôt
2026-07-17 17:59:39
16
bruno.jr.8
Bruno jr 8 :
mon frère ces bien de faire vidéo avec machette tu peux te créer des ennuis
2026-07-18 18:35:43
1
kader.ouedraogo8302
Kader burkinbila officiel🇧🇫 :
voilà pourquoi je pleure plus sur les réseaux sociaux
2026-07-18 15:40:10
2
amedbado4
bado Amédé :
walaï femme à cœur ❤️dès,
2026-07-18 12:49:09
3
mariechristinezou
mariechristinezou :
okkkkk des couples disjoncté seulement sur les réseaux sociaux et un jour bim
2026-07-18 14:49:22
0
flamm.dor.ouedraogo
226 JR 🇧🇫 😍 :
c'est ça on dit en mooré " pigue pas soon nou" .
2026-07-18 15:45:24
1
abdoulsixe2
ablo :
🤣🤣🤣
2026-07-18 15:54:13
1
user6668600215804
user6668600215804 :
Madame, fais attention
2026-07-18 11:55:39
1
nece540
Queens Traoré :
grande sœur tu as pas eu per ☠️l'on Vie à vous 👏👏👏
2026-07-17 13:52:40
0
douna.zall
Haroun Glg Zallé :
Ma sœur,la roue tourne dèh
2026-07-17 16:36:23
0
alexie.sawadogo
alexiesawadogo7 :
Mme attention deh''
2026-07-18 08:58:15
1
arobasseofficiel
🤖AROBASSE OFFICIEL 🤖 :
Madame attention ⛔️
2026-07-18 11:11:02
1
abdoulcfa787
Abdoul Cfa :
tu n'a pas peur ma sœur 😳😳
2026-07-17 19:49:28
1
odg.1212.officiell
ODG 12💢12 OFFICIELLE 05 :
2026-06-30 14:11:58
1
malikkomi52
malikkomi257 :
Merci. OK 👍👍👍👍👍👍👍👍 👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍
2026-07-10 10:56:55
1
alioujallo1
Aliou jallo :
2026-07-18 21:28:24
0
user9881296779566
Usher :
si vous me voyez pleurer encore dans réseau sociaux,sachez que ce n'est pas moi
2026-07-18 19:30:45
0
lettre.z12
la poupée 😻🥰🥰 :
ma chérie je vais te donner un conseil 😁😁😁
2026-07-18 20:53:34
0
gang.dollars
Gang Dollars :
i ka goh n’ye fale doh dai❤️❤️❤️
2026-07-18 20:26:23
0
mmetassembedo0
MME TASSEMBEDO/ AMANDA :
ma chérie tu a cœur deh
2026-07-18 20:39:43
0
karim.odg226
@karimODG226 :
2026-07-01 14:16:33
0
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Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come.  Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória.  Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.
Não se trata de duvidar da intenção de quem criou a Zuzu. Alimentar crianças, construir casas, levar médico e profissionalização alivia sofrimento real e tem valor. Mas quando um projeto passa quase uma década nisso e a situação da população só piora, deixa de importar quantos foram atendidos. É obrigatório perguntar por que a fila só cresce. Assistência trata a pessoa, não a máquina que reproduz a pobreza e enquanto essa máquina roda, a fila se renova mais rápido do que a fome diminui. Uma ONG em algum momento precisa mirar a estrutura: fiscalizar para onde vai o dinheiro do petróleo e cobrar do Estado o direito que a doação hoje substitui. Ajudar não isenta isso. Porque um país que exporta petróleo e importa a própria comida não tem um problema de escassez, tem um problema estrutural. Angola vende cerca de 90% do que exporta em um único produto, o petróleo (Banco Africano de Desenvolvimento). Quando o dólar do petróleo inunda a economia, a moeda se valoriza a ponto de tornar mais barato importar do que produzir, isso chama: doença holandesa. Angola exportava alimento para a África na última década colonial e hoje importa quase tudo que come. Essa distorção é a forma como o poder se organiza. A renda do petróleo entra por uma estatal, a Sonangol, controlada pelo mesmo partido há 50 anos e sai concentrada: a filha do presidente que governou por quase quatro décadas presidiu essa estatal e virou a mulher mais rica da África, com o desvio documentado no Luanda Leaks. O dinheiro que falta na base tem endereço, ele fica em paraíso fiscal, não no Bengo. E quem tenta mostrar esse endereço mede o tamanho do problema. O jornalista Rafael Marques responde processo por investigar a fortuna do regime. O próprio Luanda Leaks só existiu porque um consórcio estrangeiro publicou dados de um hacker preso em Portugal. Por conta disso a Angola tem uma cadeira reservada à sociedade civil para auditar a receita do petróleo, a ITIE, à qual aderiu em 2022, mas ela segue vazia, porque apontar o cano custa processo enquanto servir o prato rende o like. Nada disso é exclusividade de Angola nem dos influenciadores brasileiros e é aqui que a crítica deixa de ser sobre a Zuzu. Em Vencedores Levam Tudo, Anand Giridharadas descreve o MarketWorld: a elite que quer mudar o mundo e continuar ganhando com o mundo como ele está. Essa generosidade dos influentes não apenas deixa de resolver o problema, ela o mantém, porque alivia a revolta dos de baixo, melhora a reputação dos de cima e sufoca a única coisa que resolveria de verdade: a solução coletiva, pública, obrigatória. Essa doação humanitária ocupa lugar do direito e depois se apresenta como prova de que o direito não é necessário. Como o autor resume no caso dos Sackler, que financiavam museus com a fortuna do OxyContin enquanto o remédio matava lá fora: generosidade não é substituto de justiça. Ela acontece onde os poderosos se encontram, enquanto a injustiça acontece onde ninguém filma.

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