Carla Negrão :
O que muitos não entendem é que não existe comparação justa entre o futebol de antigamente e o de hoje. O esporte mudou, as regras mudaram, a pressão aumentou e os bastidores ficaram muito mais complexos. Quem duvida disso deveria assistir aos inúmeros documentários que expõem a corrupção que tomou conta do futebol mundial. E onde há corrupção, sempre haverá prejuízo para quem realmente ama o esporte.
Essa geração da Seleção Brasileira é uma das mais criticadas da história. Eu também faço críticas e nem sempre concordo com todas as decisões ou escalações. Mas uma coisa precisa ser dita: vestir a camisa do Brasil nunca foi fácil, e hoje talvez seja ainda mais difícil.
É muito simples chamar jogador de "cai-cai" sentado no sofá. Difícil é entrar em campo, suportar a pressão de milhões de pessoas, disputar cada bola, levar pisão de chuteira de cravo, encarar divididas e seguir correndo no limite físico e mental. Futebol não é balé. Futebol tem contato, choque, velocidade, desgaste e dor.
Eu amo o Brasil, mas também reconheço que a corrupção destrói tudo o que toca. Não apenas a política, mas qualquer instituição, inclusive o futebol. Ainda assim, essa seleção continua entrando em campo carregando o peso de uma camisa histórica, enfrentando críticas antes, durante e depois de cada jogo.
E talvez seja justamente por isso que ela represente tão bem o Brasil de hoje. Um país que apanha, é desacreditado, é criticado diariamente, mas continua lutando. Um povo que enfrenta dificuldades, injustiças e desafios sem desistir.
Podemos cobrar, podemos criticar e devemos exigir mais. Mas também precisamos reconhecer quem continua lutando. Porque, no fim das contas, essa seleção faz o mesmo que milhões de brasileiros fazem todos os dias: entra em campo, apesar de tudo, e tenta dar o seu melhor para vencer.
2026-06-30 13:32:54