ana🇮🇹 :
A casa parecia esquecida pelo tempo. Não era uma casa em ruínas, daquelas completamente destruídas, mas também não parecia habitada havia muito tempo. Quando entrei, eu sabia que era um sonho. Ele estava de costas, como se estivesse prestes a ir embora. Então corri, segurei seu braço e o abracei com toda a força que consegui. Seu corpo estava coberto por um pó azul. Talvez representasse fragilidade, saudade ou a sensação de que ele já não pertencia mais a este mundo. Eu não podia soltá-lo. Sabia, de alguma forma, que, se o soltasse, ele iria embora. Comecei a chorar. “— Por que você foi embora?” Silêncio. Ele não respondeu. Perguntei de novo. E de novo. Esperando qualquer resposta. Ele permanecia ali. Não me apertava de volta, mas também não tentava escapar. “— Por que você foi embora?” Nada. Ele me ouvia. Meu desespero aumentava. Eu repetia a mesma pergunta, chorando cada vez mais, como se insistir pudesse mudar alguma coisa. Mas ele continuava em silêncio, como se também não tivesse uma resposta. Então, ele se afastou. Sem pressa. Sem olhar nos meus olhos. Eu o vi entrar em um carro, envolvido pela escuridão. Corri. Precisava alcançá-lo antes que fosse embora mais uma vez. Quando tentei impedir que partisse, alguém entrou na minha frente. Reconheci aquela pessoa, embora eu não consiga lembrar quem era. Ela também chorava. Olhou para mim e perguntou:”— Você ouviu o barulho?” Então, o silêncio desapareceu. Ecoaram tiros. Naquele instante, tudo fez sentido. Era o mesmo som que marcou o dia em que ele partiu.
2026-07-22 01:20:11