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Mẹ Bắp nè 🌽
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Thursday 30 July 2026 11:09:33 GMT
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Salvação universal só virou heresia 553 anos depois de Cristo. Pq ao que tudo indica o inferno não existe como fim eterno. Existe como metáfora política da destruição, invenção simbólica como discurso do afastamento de deus e posteriormente como instrumento do medo. Porque o que a Bíblia mostra é outra coisa. Em 1 Coríntios 15:28, Paulo escreve que Deus será tudo em todos. Isso significa que no fim dos tempos todos serão salvos retornando ao Uno. Assim, quando vigora o amor de Deus não sobra o inferno, sobra a reconciliação. Aí vocês vão dizer: “Mas Jesus falou do inferno sim”. E eu te pergunto: qual inferno? A Bíblia usa várias palavras diferentes que foram todas traduzidas como “inferno”, mas cada uma delas tem um sentido próprio: Gehenna (גי־הנם): o vale de Hinom, um lixão fora de Jerusalém, lugar de impureza e rejeição, usado como metáfora para exclusão social. Hades (ᾅδης): o mundo dos mortos na cultura grega, morada temporária das almas, sem conotação de punição eterna. Tártaro (τάρταρος): prisão mitológica das potências espirituais caídas, usado apenas uma vez no Novo Testamento (2Pe 2:4), sem referência à condenação humana. Jesus falou sim de “fogo eterno”, de “choro e ranger de dentes”, mas essas imagens aparecem em parábolas ou como recursos proféticos para descrever separação, injustiça, egoísmo, e não como mapa literal do além. O que chamaram de inferno era símbolo. E os símbolos dizem mais sobre quem os desenha do que sobre a vontade de Deus. No próximo vídeo, nós vamos falar sobre A Divina Comédia, de Dante Alighieri, sobre O Paraíso Perdido, de John Milton, e explicar como o demônio e o inferno foram utilizados como instrumento para acusar opositores, perseguir dissidentes e manter o medo como forma de controlar. Referências utilizadas (ABNT): WRIGHT, N. T. Surprised by Hope: Rethinking Heaven, the Resurrection, and the Mission of the Church. HarperOne, 2008. STOTT, John; EDWARDS, David L. Evangelical Essentials: A Liberal-Evangelical Dialogue. InterVarsity Press, 1988. PAGELS, Elaine. The Origin of Satan. New York: Vintage Books, 1996. FERREIRA, Aires José da Silva. A Patrística: entre o discurso filosófico e teológico. São Paulo: Paulus, 2006. MELLO, Leonardo. Sola gratia e o problema da liberdade: o diabo como instrumento teológico na Reforma Protestante. Revista Eletrônica Estudos Teológicos e Filosóficos, v. 2, n. 3, 2022. SILVA, W. F. da. Imaginário do Medo: demonologia, pecado e controle social na cultura cristã ocidental. Revista ReVLeSa, v. 4, n. 7, 2021
Salvação universal só virou heresia 553 anos depois de Cristo. Pq ao que tudo indica o inferno não existe como fim eterno. Existe como metáfora política da destruição, invenção simbólica como discurso do afastamento de deus e posteriormente como instrumento do medo. Porque o que a Bíblia mostra é outra coisa. Em 1 Coríntios 15:28, Paulo escreve que Deus será tudo em todos. Isso significa que no fim dos tempos todos serão salvos retornando ao Uno. Assim, quando vigora o amor de Deus não sobra o inferno, sobra a reconciliação. Aí vocês vão dizer: “Mas Jesus falou do inferno sim”. E eu te pergunto: qual inferno? A Bíblia usa várias palavras diferentes que foram todas traduzidas como “inferno”, mas cada uma delas tem um sentido próprio: Gehenna (גי־הנם): o vale de Hinom, um lixão fora de Jerusalém, lugar de impureza e rejeição, usado como metáfora para exclusão social. Hades (ᾅδης): o mundo dos mortos na cultura grega, morada temporária das almas, sem conotação de punição eterna. Tártaro (τάρταρος): prisão mitológica das potências espirituais caídas, usado apenas uma vez no Novo Testamento (2Pe 2:4), sem referência à condenação humana. Jesus falou sim de “fogo eterno”, de “choro e ranger de dentes”, mas essas imagens aparecem em parábolas ou como recursos proféticos para descrever separação, injustiça, egoísmo, e não como mapa literal do além. O que chamaram de inferno era símbolo. E os símbolos dizem mais sobre quem os desenha do que sobre a vontade de Deus. No próximo vídeo, nós vamos falar sobre A Divina Comédia, de Dante Alighieri, sobre O Paraíso Perdido, de John Milton, e explicar como o demônio e o inferno foram utilizados como instrumento para acusar opositores, perseguir dissidentes e manter o medo como forma de controlar. Referências utilizadas (ABNT): WRIGHT, N. T. Surprised by Hope: Rethinking Heaven, the Resurrection, and the Mission of the Church. HarperOne, 2008. STOTT, John; EDWARDS, David L. Evangelical Essentials: A Liberal-Evangelical Dialogue. InterVarsity Press, 1988. PAGELS, Elaine. The Origin of Satan. New York: Vintage Books, 1996. FERREIRA, Aires José da Silva. A Patrística: entre o discurso filosófico e teológico. São Paulo: Paulus, 2006. MELLO, Leonardo. Sola gratia e o problema da liberdade: o diabo como instrumento teológico na Reforma Protestante. Revista Eletrônica Estudos Teológicos e Filosóficos, v. 2, n. 3, 2022. SILVA, W. F. da. Imaginário do Medo: demonologia, pecado e controle social na cultura cristã ocidental. Revista ReVLeSa, v. 4, n. 7, 2021

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