Heloísa Oliveira :
Lembro como se fosse hoje do meu genitor, do meu pai, a pessoa em quem eu mais confiava, me chamando de “louca” e dizendo que eu estava “alucinando”. É estranho pensar que a mesma pessoa que um dia foi o meu maior orgulho acabou sendo também a pessoa que mais me machucou. Durante muito tempo, eu só queria ouvir um “tenho orgulho de você, filha”. Eu fazia de tudo para receber um pouco do seu carinho, da sua atenção, para sentir que, de alguma forma, eu era motivo de orgulho para você. Mas essa frase nunca veio. E talvez você nunca saiba o quanto uma filha pode sentir falta de algo tão simples vindo do próprio pai. Hoje, aos 18 anos, eu poderia guardar rancor, raiva ou ódio de tudo que aconteceu, mas escolhi não carregar isso comigo. Não porque não doeu, mas porque eu não quero passar o resto da minha vida presa àquilo que você me fez sentir. Apesar de tudo, existe uma parte de mim que ainda lembra da menina que só queria ter um pai presente, que queria ser amada, protegida e ouvir que ele tinha orgulho dela. Talvez você veja isso algum dia, talvez nem faça questão. Mas, mesmo sabendo que você não faz questão de saber como eu estou ou de perguntar como está a minha vida, eu ainda queria conseguir te dizer: feliz Dia dos Pais, pai. É doloroso escrever isso para alguém que deveria saber de mim sem que eu precisasse pedir. Mas, no fundo, acho que sempre vou sentir falta do pai que eu imaginei que você seria.
2026-08-03 00:49:20