Sid :
Quando a sociedade adoece
Há quem diga que uma sociedade é como um organismo vivo: seus valores são o coração, suas instituições são os órgãos vitais e o voto é o sistema que mantém tudo em funcionamento. Quando esse organismo começa a apresentar sinais de desequilíbrio, o diagnóstico torna-se inevitável.
Vivemos um tempo em que a hipocrisia parece ocupar espaço demais, enquanto a vergonha, a coerência e a responsabilidade pública tornam-se cada vez mais escassas. Muitos representantes políticos mudam de discurso conforme a conveniência, e parte da sociedade passa a aceitar essas contradições como se fossem naturais.
A recente escolha do candidato a vice-presidente pelo PL reacendeu esse debate. Independentemente da posição política de cada cidadão, o episódio levou muitos brasileiros a questionarem se estamos analisando nossas escolhas com senso crítico ou apenas reagindo por paixão, identificação partidária ou rejeição ao adversário.
Uma democracia saudável exige mais do que torcidas organizadas. Exige cidadãos capazes de avaliar fatos, coerência, histórico e compromisso com o interesse público. Quando abrimos mão desse dever, enfraquecemos a própria democracia.
Existe um remédio para essa doença social, mas ele depende exclusivamente de cada eleitor: o voto consciente.
Esse voto não deve ser movido pela raiva, pelo fanatismo, pelo medo ou por interesses pessoais. Deve nascer da reflexão, da responsabilidade e do compromisso com o futuro do país. Votar é um direito, mas também é um dos maiores deveres do cidadão.
Uma sociedade só recupera sua saúde quando seus cidadãos compreendem que o voto não é um ato de paixão, e sim de responsabilidade. O Brasil precisa menos de idolatria política e mais de consciência cívica.
Sidiney Alves Rezende
2026-08-06 17:20:59