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A ópera mais popular de Mozart foi encomendada por um ator que reservou o melhor papel para si mesmo. • Em 1791 Mozart vivia em Viena, afundado em dívidas, escrevendo várias obras ao mesmo tempo. Foi nesse ano que aceitou uma proposta diferente de tudo que vinha fazendo: em vez de um teatro de corte, escreveria para um teatro popular de subúrbio, o Theater auf der Wieden. Quem o levou para lá foi Emanuel Schikaneder, ator e empresário, que escreveu o libreto de A Flauta Mágica e ainda ficou com o papel de Papageno, o caçador de pássaros que ele mesmo estreou no palco. A ópera subiu no fim de setembro e caiu no gosto do público de imediato. Mozart morreu pouco mais de dois meses depois. Papageno é o personagem que mais atravessou para fora da ópera: sem heroísmo e sem grande missão, ele só quer alguém para chamar de sua, e é por ele que muita gente entra nesse repertório pela primeira vez. • Ouça de novo e repare na distância entre a voz grave e a aguda. Uma é de barítono e a outra de soprano, e ambas cantam exatamente a mesma figura, uma logo depois da outra. É o mesmo gesto em pontos opostos do som, e é isso que faz o reencontro soar como um espelho. • Canta Papageno o barítono alemão Thomas Quasthoff, que teve a matrícula recusada por um conservatório em Hannover porque não conseguia tocar piano, exigência do curso. Estudou canto em particular, cursou Direito, trabalhou seis anos como locutor de rádio e só então venceu o concurso da ARD em Munique. Anos depois virou professor de canto, e é aí que a história fecha o círculo: a soprano ao lado dele, a espanhola Sylvia Schwartz, se preparou com ele na escola Hanns Eisler, em Berlim. O registro é de uma gala Mozart da Staatsoper de Berlim, com a Staatskapelle Berlin regida por Julien Salemkour. • 👉 Siga, o melhor da música clássica, diariamente no seu feed. #aflautamagica #mozart #papageno #musicaclassica
A ópera mais popular de Mozart foi encomendada por um ator que reservou o melhor papel para si mesmo. • Em 1791 Mozart vivia em Viena, afundado em dívidas, escrevendo várias obras ao mesmo tempo. Foi nesse ano que aceitou uma proposta diferente de tudo que vinha fazendo: em vez de um teatro de corte, escreveria para um teatro popular de subúrbio, o Theater auf der Wieden. Quem o levou para lá foi Emanuel Schikaneder, ator e empresário, que escreveu o libreto de A Flauta Mágica e ainda ficou com o papel de Papageno, o caçador de pássaros que ele mesmo estreou no palco. A ópera subiu no fim de setembro e caiu no gosto do público de imediato. Mozart morreu pouco mais de dois meses depois. Papageno é o personagem que mais atravessou para fora da ópera: sem heroísmo e sem grande missão, ele só quer alguém para chamar de sua, e é por ele que muita gente entra nesse repertório pela primeira vez. • Ouça de novo e repare na distância entre a voz grave e a aguda. Uma é de barítono e a outra de soprano, e ambas cantam exatamente a mesma figura, uma logo depois da outra. É o mesmo gesto em pontos opostos do som, e é isso que faz o reencontro soar como um espelho. • Canta Papageno o barítono alemão Thomas Quasthoff, que teve a matrícula recusada por um conservatório em Hannover porque não conseguia tocar piano, exigência do curso. Estudou canto em particular, cursou Direito, trabalhou seis anos como locutor de rádio e só então venceu o concurso da ARD em Munique. Anos depois virou professor de canto, e é aí que a história fecha o círculo: a soprano ao lado dele, a espanhola Sylvia Schwartz, se preparou com ele na escola Hanns Eisler, em Berlim. O registro é de uma gala Mozart da Staatsoper de Berlim, com a Staatskapelle Berlin regida por Julien Salemkour. • 👉 Siga, o melhor da música clássica, diariamente no seu feed. #aflautamagica #mozart #papageno #musicaclassica

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