@nguyt.nh.hoa1: Thích ngủ, nhưng chưa hôm nào ngủ sớm. Lười làm, nhưng đi làm không thiếu 1 ngày nào. Mệt thì than, nhưng vẫn cố gắng. Chẳng tài giỏi gì, nhưng vẫn không ngừng cố gắng.! #xh

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Hoàng Duy :
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Elizabeth II herdou em 1952 do pai um país que tentava ressurgir das cinzas, traumatizado pela Segunda Guerra Mundial, embora tenha saído vitorioso do conflito. O império de 700 milhões de súditos reduziu-se a um reino de 50 milhões almas, apenas 13 anos depois de sua ascensão.    A rainha acompanhou a TV rudimentar evoluir para o TikTok, e o telefone que demorava a dar linha para o Whatsapp. Viu as mulheres saírem da condição de “rainhas do lar” para reivindicar o direito de decidirem sobre suas vidas e assumirem postos de trabalho. Testemunhou a revolução sexual, o casamento gay, a explosão do rock e da cultura pop, e a clonagem da ovelha Dolly. Sobreviveu de Hilter a Bin Laden, aos atentados do IRA, ao Brexit, à Covid e a Putin. Balançou, sem cair, ante a crise financeira do final dos anos 1970 (“Deus salve a rainha/ ela não é um ser humano”, cantavam os Sex Pistols), os divórcios dos três filhos, a morte de Diana e, mais recentemente, o escândalo sexual de seu filho preferido, Andrew, e as acusações de racismo da mulher do neto Harry.    Tudo isso formou o Zeitgeist da Segunda Era Elizabethana, que ela atravessou seguindo o silêncio regimentar que impôs a si mesma. Ninguém soube o que pensava realmente; a rainha não dava entrevistas, não emitia opiniões nas redes sociais nem fora delas. Para ela, alegrias e tristezas deveriam ser tratadas de forma privada e inescrutável, uma herança de sua educação vitoriana e dos anos de guerra, em que as pessoas eram convidadas a suportar suas perdas com estoicismo.  Ainda assim, na era da opinião e da lacração, continuou a ser uma quase unanimidade, o que é quase inexplicável em tempos de democracia representativa direta.  Ao longo desses 70 anos, mostrou-se uma trabalhadora incansável, uma funcionária pública exemplar que participou de mais de 21 mil compromissos e que, pouco antes de sua morte, amadrinhava mais de 500 organizações sociais.    Sua última aparição foi recebendo seu 15º primeiro-ministro, ou melhor, sua 3a primeira-ministra. Até o último minuto, serviu ao seu país. Reproduzo aqui o que o americano Henry James escreveu em 1901, sobre a morte da Rainha Vitória: “As águas selvagens estão sobre nós agora”.
Elizabeth II herdou em 1952 do pai um país que tentava ressurgir das cinzas, traumatizado pela Segunda Guerra Mundial, embora tenha saído vitorioso do conflito. O império de 700 milhões de súditos reduziu-se a um reino de 50 milhões almas, apenas 13 anos depois de sua ascensão. A rainha acompanhou a TV rudimentar evoluir para o TikTok, e o telefone que demorava a dar linha para o Whatsapp. Viu as mulheres saírem da condição de “rainhas do lar” para reivindicar o direito de decidirem sobre suas vidas e assumirem postos de trabalho. Testemunhou a revolução sexual, o casamento gay, a explosão do rock e da cultura pop, e a clonagem da ovelha Dolly. Sobreviveu de Hilter a Bin Laden, aos atentados do IRA, ao Brexit, à Covid e a Putin. Balançou, sem cair, ante a crise financeira do final dos anos 1970 (“Deus salve a rainha/ ela não é um ser humano”, cantavam os Sex Pistols), os divórcios dos três filhos, a morte de Diana e, mais recentemente, o escândalo sexual de seu filho preferido, Andrew, e as acusações de racismo da mulher do neto Harry. Tudo isso formou o Zeitgeist da Segunda Era Elizabethana, que ela atravessou seguindo o silêncio regimentar que impôs a si mesma. Ninguém soube o que pensava realmente; a rainha não dava entrevistas, não emitia opiniões nas redes sociais nem fora delas. Para ela, alegrias e tristezas deveriam ser tratadas de forma privada e inescrutável, uma herança de sua educação vitoriana e dos anos de guerra, em que as pessoas eram convidadas a suportar suas perdas com estoicismo. Ainda assim, na era da opinião e da lacração, continuou a ser uma quase unanimidade, o que é quase inexplicável em tempos de democracia representativa direta. Ao longo desses 70 anos, mostrou-se uma trabalhadora incansável, uma funcionária pública exemplar que participou de mais de 21 mil compromissos e que, pouco antes de sua morte, amadrinhava mais de 500 organizações sociais. Sua última aparição foi recebendo seu 15º primeiro-ministro, ou melhor, sua 3a primeira-ministra. Até o último minuto, serviu ao seu país. Reproduzo aqui o que o americano Henry James escreveu em 1901, sobre a morte da Rainha Vitória: “As águas selvagens estão sobre nós agora”.

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