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Esse dia tive tanta esperança, você parecia estar melhorando. Eu sinto tanto a sua falta Mofinho, nosso ultimo passeio foi muito feliz. Vou guardar pra sempre na memória.  A nossa história começou com uma invasão. Eu tinha apenas vinte e dois anos quando um filhote de quatro meses, com uma pelagem trigrada que brilhava no sol e olhos verdes, entrou correndo pelo portão da minha casa e veio direto para o meu colo, me derrubando no chão me enchendo de lambeijos e alegria. Naquele exato segundo, olhei para o Bruno e falei:
Esse dia tive tanta esperança, você parecia estar melhorando. Eu sinto tanto a sua falta Mofinho, nosso ultimo passeio foi muito feliz. Vou guardar pra sempre na memória. A nossa história começou com uma invasão. Eu tinha apenas vinte e dois anos quando um filhote de quatro meses, com uma pelagem trigrada que brilhava no sol e olhos verdes, entrou correndo pelo portão da minha casa e veio direto para o meu colo, me derrubando no chão me enchendo de lambeijos e alegria. Naquele exato segundo, olhei para o Bruno e falei: "Esse cachorro vai ser meu". E foi e é. Foram lindos oito anos que passaram como um sopro, um piscar de olhos de puro amor. De todas as pessoas que eu fui, eu prefiro, de longe, a versão que viveu com você, meu Morfeu, Mofi, Mofinho, Fumi, Morf, Morfelético, Mor, Bebê da mamãe. Você tinha tantas manias lindas. Odiava tomar banho, adorava melão. Sabia exatamente quando o Bruno estava chegando e vinha correndo feliz me avisar. Quando falávamos "Vamos passear?", você já sabia e corria todo animado. Na hora de dormir, subia as escadas na nossa frente, parava la em cima e olhava para trás, como quem falasse: "Já passou da hora, hein!". Amava dormir abraçado. As vezes você ficava nos pés, as vezes no meio, e as vezes a gente encostava as costas um do outro e dormia assim, sentindo o calor um do outro mas sempre juntos... Você também tinha um apego lindo pelas suas coisas. O brinquedinho que você ganhou no primeiro dia em que veio para a nossa família foi o único que você não destruiu. Ele já não é mais vermelho, está mofado e velho, mas era o seu tesouro. Minha mãe, sua avó, até comprou um novo igualzinho, mas você demorou para brincar com ele, porque seu coração era leal demais para desapegar do primeiro. Quando as suas irmãs, Jurema e Lilith, começavam a brigar, la ia você se enfiar no meio para separar. É engraçado, mas elas não brigam desde que você partiu, acho que elas só faziam aquilo porque gostavam que você fosse lá resolver. Você também reconhecia de longe a rua da casa das suas vovós. Ficava todo animado quando percebia que estávamos chegando. E quando eu entrava em casa, ver você na porta abanando o rabinho e se jogando no chão de barriga pra baixo... era a melhor parte do meu dia. Agora quando chego em casa não consigo entrar sem te procurar com os olhos... mesmo sabendo uma parte de mim acredita que é só um pesadelo.. Nós conhecemos o mundo juntos, Mofi. Nossas viagens, nossos rolês no rio, nas trilhas... até ja acampamos, estávamos sempre na praia e, ultimamente, até no mar você entrava. Nunca vou me esquecer de quando você achou que eu estava me afogando e pulou na água, desesperado, para me salvar. Eu percebi o seu heroísmo e me deixei ser "salva" por você. Nós lutamos tanto por você, meu amor. Movemos céus e terra. Fizemos até algo que eu jamais pensei em fazer: uma vakinha. Em dias ela repercutiu de um jeito lindo. Tantos amigos, colegas e desconhecidos ajudaram, nos dando esperança. Olha até onde o seu amor foi! Graças a essas pessoas, você descansou sem dor. No seu último domingo, você nos deu um presente final: uma melhora tão grande, um surto de energia. Nós passeamos a tarde toda. Abri a janela do carro para você e te vi sentindo o vento bater no seu focinho fofo, do jeitinho que você amava. Naquela quarta-feira, você foi muito forte e corajoso. Esperou até a gente ir te ver. Ficamos ao seu lado, te olhando, te dando carinho, beijos e dizendo o quanto te amávamos e que ia ficar tudo bem. Eu achei de verdade que você voltaria para casa em breve... mas o seu corpinho precisava descansar. Escrevendo me lembrei de uma vez que você fugiu de casa, do meu desespero te procurando pelo bairro, e da cena mágica de olhar para trás e ver você voltando sozinho para casa. Isso inspirou eu fazer um filme sobre você e você atuou, foi tão especial. Nesse filme, você volta. E eu amo ver você voltando. Eu te amei por toda a sua vida, Mofi, e vou sentir sua falta pelo resto da minha.

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