Ronilson Silva :
No primeiro filme, até gostei dela, mas tem uma coisa que sempre me incomodou: ela é da Terra, então por que, justamente nos momentos em que a Terra mais precisa dela, ela nunca está por aqui? Eu entendo que existam outras ameaças e que ela tenha responsabilidades fora do planeta, mas, dentro da própria narrativa, isso acaba deixando a personagem meio desconectada dos problemas que os outros heróis enfrentam.
E, além disso, acho a personalidade dela muito prepotente. Não estou dizendo que uma personagem feminina precisa ser delicada ou humilde o tempo todo, muito pelo contrário. O problema é quando a confiança começa a parecer arrogância e a personagem passa a impressão de que se considera superior aos outros simplesmente porque é mais poderosa.
Um exemplo que, para mim, funciona muito melhor é a Viúva Negra. Ela é uma Vingadora que não tem superpoderes, está cercada de pessoas com força, tecnologia e habilidades extraordinárias, e mesmo assim consegue conquistar o respeito de todo mundo. É uma mulher linda, forte, inteligente, extremamente competente e que não precisa ficar se colocando acima dos outros para provar seu valor. Ela simplesmente demonstra na prática aquilo que é capaz de fazer.
Já a Capitã Marvel, para mim, muitas vezes parece precisar reafirmar o tempo todo o quanto é poderosa. E isso acaba prejudicando a identificação com a personagem. Poder não é o problema; o problema é a forma como a personalidade dela é construída.
Talvez seja justamente por isso que eu goste muito mais da Viúva Negra: ela não precisa ser a pessoa mais poderosa da sala para mostrar que merece estar ali. Ela conquista seu espaço pela competência, pela inteligência e pelas atitudes. E, para mim, isso torna a personagem muito mais interessante e carismática.
2026-08-20 01:56:16