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@Ian Neves - História Pública Imagine uma sociedade utópica, onde a automação evoluiu de forma plena em todos os setores — agropecuária, indústria, serviços e demais áreas produtivas — tornando o trabalho humano totalmente desnecessário. Desaparece o capital variável, toda a produção depende apenas de capital fixo, não há mais-valia e a taxa de lucro chega a zero, pois não existe trabalho vivo a ser explorado como fonte de acumulação. Agora o que aconteceria nesse cenário se a economia for comunista/anarquista ou capitalista? Na primeira, como a tecnologia e os meios de produção são patrimônio coletivo e como o trabalho necessário desaparece, acaba a divisão em classes e a coerção econômica: ninguém é obrigado a trabalhar para sobreviver. A produção atende diretamente às necessidades e ao desenvolvimento humano, não ao lucro. O tempo liberado se torna espaço de criação livre, convívio, arte, ciência e conhecimento. O que um dia se chamou “trabalho” passa a ser expressão voluntária e prazerosa da capacidade humana, sem exploração nem desigualdade. Já no capitalismo, como a produção e os sistemas automáticos pertencem a proprietários privados, e não há mais-valia possível, o sistema perde sua razão de existir: a valorização do capital. A massa populacional, que não serve mais como força de trabalho explorável, transforma-se em encargo inútil e estranho ao processo produtivo. Sem função econômica e sem acesso aos meios de vida controlados por poucos, essa população torna-se excesso descartável: marginalizada, segregada ou eliminada, pois não há lugar no capitalismo para quem não pode gerar lucro. Se eu estiver certo, o capitalismo nesse cenário, é anti-humanidade? Sugestões?
2026-08-21 00:05:44