Palestrante Augusto Dutra :
Ué, por que não entraram na Justiça para impedir que cirurgiões-dentistas realizassem cirurgias de fissura labiopalatina, traumas de face ou cirurgias de Le Fort I, II e III?
Ah, já sei a resposta: porque, nesses casos, a discussão não envolve um mercado tão lucrativo.
Quando é para atender uma criança com fissura labiopalatina, tudo bem? Afinal, o lábio não faz parte da face? Quando é para reconstruir uma face traumatizada ou realizar uma cirurgia de Le Fort, também não há problema?
Mas, quando o assunto é harmonização facial, um mercado que movimenta muito dinheiro, de repente surgem os “defensores dos limites profissionais”.
Aos que desconhecem: a Odontologia e, especialmente, a Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial têm atuação histórica e reconhecida em procedimentos que envolvem estruturas da face.
Então, sejamos coerentes: se a discussão é realmente técnica, científica e sobre competência profissional, que se aplique o mesmo raciocínio a todas as situações — e não apenas àquelas em que existe um mercado financeiramente atraente em disputa.
Caso contrário, fica difícil não enxergar hipocrisia nesse discurso.
2026-08-26 01:37:15