dayaaas2 :
Minha mãe perdeu minha avó quando eu ainda era recém-nascida. Por muitos Dias das Mães, eu a vi cheirando uma blusa que guardou durante quase 22 anos. A blusa na cor amarela bem forte, quase mostarda, e, mesmo possuindo a cor da felicidade, carrega tanta tristeza e tantas lágrimas de saudade, que foram sendo acopladas no decorrer desses quase 22 anos. De acordo com ela, ainda tem o cheirinho todinho da vovó.
Uma vez, quando a vi chorando e cheirando a blusa, perguntei por que estava chorando. Ela disse que estava com saudade da mãe dela. Eu, então, na ingenuidade respondi que ela tinha “a gente” (eu e minha irmã). E ela afirmou que não era a mesma coisa.
Eu tinha uns 10 anos e nunca, nunca, nunca mesmo, esqueci daquilo.
De fato, ela perdeu a sua mãezinha. Com o passar do tempo, a memória da voz dela talvez tenha se perdido, o rosto pode estar desaparecendo aos poucos da lembrança, assim como os momentos, os carinhos… O tempo, aos poucos, vai nos levando tudo.
A minha vó ainda é uma mulher estática e silenciosa. E eu sofri muito na infância quanto a isso, via minhas amiguinhas com suas avós, tendo aquele momento em família, com tradições de ir aos finais de semana para suas avós, e eu? Não tive isso. Sofri muito com a ausência da minha avó mas a minha mãe sofreu com a ausência da sua mãe. Por muito tempo tive vontade de possuir superpoderes p conseguir voltar no tempo e mudar o passado, para que hoje, essa ausência não fosse vivida.
Nunca tinha pensado sobre a falta que a vovó faz dessa forma. Nunca havia percebido que eu nunca vi e ouvi minha mãe chamar pela sua mãe. De fato, uma das piores partes do luto é o silêncio que fica.
2026-08-25 22:45:34