brizola_games :
Tá, cara. Especificamente nessa questão da transmissão entre cônjuges, beleza, você tem razão que vários desses países possuem isenções, benefícios ou tratamentos diferenciados. O meu ponto não é negar isso. O problema é pegar uma regra específica do sistema e usar isso para dizer que a esquerda quer copiar só as alíquotas desses países enquanto ignora todo o resto.
Porque, quando você olha o sistema como um todo, a história muda bastante. Em vários desses países, ou a arrecadação com heranças fica numa proporção parecida com a brasileira, mas incidindo muito mais sobre grandes patrimônios, ou ela é simplesmente muito maior do que aqui, chegando em alguns casos a três, quatro ou até cinco vezes a arrecadação brasileira em proporção do PIB.
Então eu concordo que não faz sentido simplesmente olhar para a alíquota marginal de outro país e querer importar aquilo isoladamente. Só que também não faz sentido pegar uma isenção específica, como a transmissão entre cônjuges, e apresentar isso como se resumisse o sistema inteiro. Tem que olhar quem efetivamente paga, a partir de qual patrimônio começa a pagar, quais são as isenções, qual é a alíquota efetiva e, no final, quanto aquele imposto arrecada.
E é justamente aí que entra a minha crítica ao Brasil. O nosso imposto sobre herança consegue ser relativamente pesado para patrimônios que nem são tão grandes, enquanto é extremamente leve no topo. Eu sou favorável a aumentar a tributação sobre grandes heranças, mas justamente dentro de uma reforma que diminua a tributação sobre consumo. Porque alguém vai pagar a conta. E, entre cobrar mais de quem está consumindo o básico e cobrar mais de alguém que recebeu dezenas ou centenas de milhões de reais por herança, eu prefiro a segunda opção.
2026-08-25 23:32:02