Gervásio Xavier Soares :
A Arquitetura do Efêmero
Quem mede o sopro que deságua em canto,
se o tempo é rio e o som é sua foz?
Na fresta exata entre o desejo e o espanto,
Marina esculpe o vento com sua voz.
Não há caminho pronto no horizonte,
o ser se faz na busca, em pleno voo.
A noite é um espelho, o azul, a fonte,
da alma que compreende o que restou.
Fullgás — o instante corre, incandescente,
pois existir é urgência que consome.
O que é real senão o que se sente,
antes que o próprio tempo mude o nome?
À francesa, a vida esquiva-se do traço,
da rigidez que mata o movimento.
A liberdade habita no compasso
de quem transforma a perda em pensamento.
Setenta e um invernos na retina,
mas a canção desconhece a idade.
Pensar a vida, afinal, Marina,
é herdar de si a própria eternidade. 🌹
2026-09-17 22:48:32