Fátima Sousa :
Sempre me pego pensando nisso. Lembro-me das inúmeras vezes em que a via pensativa, com o olhar distante e, muitas vezes, com os olhos cheios de lágrimas.
Eu era apenas uma criança, depois uma adolescente, e foi justamente na adolescência que a perdi. Durante muito tempo, pensei que, quando crescesse, poderia dar o mundo a ela, retribuir tudo o que fez por mim e realizar tantos sonhos ao seu lado.
Mas, quando a perdi, foi como se eu também tivesse parado no tempo. Passei a acreditar que lutar pelos meus sonhos já não faria sentido, porque ela não estava mais aqui para vê-los acontecer.
E, mesmo depois de tantos anos, ainda dói. Dói na alma, e dói muito. Porque existem ausências que o tempo não apaga; apenas nos ensina, aos poucos, a aprender a viver com elas.
2026-09-05 04:05:47