@1caracomum: "Intervalos" (Matheus Fagundes) Entre o alarme e a notícia Entre o adeus e o depois Há uma vida sem registro Respirando entre nós Entre o feito e o lembrado Entre a espera e o chegar Há um mundo quase inteiro Que ninguém consegue contar O silêncio não é ausência Nem o escuro é mero véu Há coisas que só existem Quando se calam os céus Nos intervalos, a vida acontece Quando o ruído se desfaz Entre a palavra e o silêncio Há tudo aquilo que nos faz Se o visível é só uma fresta E o invisível nos conduz Talvez aquilo que não vemos Seja o que sustenta a luz Milhões de sóis, nenhum aplauso Acendem sem nos perguntar Galáxias traçam seus caminhos Que não podemos acompanhar Há uma arquitetura escura Por trás do clarão daqui O que parece ser vazio Talvez dê forma ao que há em mim Chamamos de mistério O que não podemos tocar Há mais mundo no silêncio Que em tudo o que vemos brilhar Nos intervalos, a vida acontece Quando o ruído se desfaz Entre a palavra e o silêncio Há tudo aquilo que nos faz Se o visível é só uma fresta E o invisível nos conduz Talvez aquilo que não vemos Seja o que sustenta a luz Não somos centro nem resposta Somos pergunta feita em luz Um breve acorde consciente Nalguma música que nos conduz E quando a última voz se cala Não termina o que se ouve Talvez o silêncio seja a origem De tudo aquilo que se move