@hasni_toujour31: #hasni#

شاب حسني🎹🎙️🎧
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cosmitique38
cosmitique#$amir# :
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2026-09-15 00:40:44
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Quem acha que reduzir a maioridade penal resolve a criminalidade não sabe nada de risco. Quem comete um crime não calcula o tamanho da pena, calcula a chance de ser pego. No Brasil essa chance é tão baixa que a pena podia ser de mil anos: pra quem nunca vai cumprir nenhum dia dela, dá no mesmo. Existe uma equação clássica em economia do crime, de Gary Becker: o custo pro infrator é a Probabilidade de punição multiplicada pela Severidade. P × S. Numa multiplicação, se P é quase zero, não importa o tamanho de S, o resultado continua quase zero. E o P brasileiro é isso: crimes contra a vida têm elucidação de 33% a 44%. Violência sexual, 99% sem responsável (e só 10% das vítimas chegam a relatar). Roubo e furto, 13% a 22%. Entre 15% e 25% dos casos nem chegam a ser registrados. Reduzir a maioridade aumenta S. Não toca em P. E o P ainda é desigual. Adolescente de família rica em Santos, ao volante de um carro comprado uma semana antes, tirou a vida de duas pessoas: 6 meses de prestação de serviço comunitário. Adolescente de 14 anos, em condomínio de luxo em Cuiabá, tirou a vida da melhor amiga num episódio que a própria polícia classificou como intencional: processo extinto, só os pais pagaram indenização. No caso do bichinho Orelha, o Estado mobilizou exumação, 14 câmeras, força-tarefa e Polícia Federal pra apurar com rigor o caso de adolescentes de família estruturada, e concluiu que não houve crime. Pergunta: que outro adolescente, sem dinheiro, recebe esse nível de apuração antes de ser responsabilizado? A ciência confirma: Nagin e meta-análises com dezenas de estudos mostram que é a certeza da punição que dissuade, não a severidade. Lee & McCrary testaram isso direto na transição pra maioridade nos EUA: os números não caíram quando a pena ficou mais pesada. O problema do Brasil nunca foi pena pequena. É a chance de ser descoberto, que é menor ainda e desigual. Investir em investigação muda o cálculo. Aumentar pena de quem nunca é identificado não muda nada mas você não consegue fazer uma conta de matemática como um adulto
Quem acha que reduzir a maioridade penal resolve a criminalidade não sabe nada de risco. Quem comete um crime não calcula o tamanho da pena, calcula a chance de ser pego. No Brasil essa chance é tão baixa que a pena podia ser de mil anos: pra quem nunca vai cumprir nenhum dia dela, dá no mesmo. Existe uma equação clássica em economia do crime, de Gary Becker: o custo pro infrator é a Probabilidade de punição multiplicada pela Severidade. P × S. Numa multiplicação, se P é quase zero, não importa o tamanho de S, o resultado continua quase zero. E o P brasileiro é isso: crimes contra a vida têm elucidação de 33% a 44%. Violência sexual, 99% sem responsável (e só 10% das vítimas chegam a relatar). Roubo e furto, 13% a 22%. Entre 15% e 25% dos casos nem chegam a ser registrados. Reduzir a maioridade aumenta S. Não toca em P. E o P ainda é desigual. Adolescente de família rica em Santos, ao volante de um carro comprado uma semana antes, tirou a vida de duas pessoas: 6 meses de prestação de serviço comunitário. Adolescente de 14 anos, em condomínio de luxo em Cuiabá, tirou a vida da melhor amiga num episódio que a própria polícia classificou como intencional: processo extinto, só os pais pagaram indenização. No caso do bichinho Orelha, o Estado mobilizou exumação, 14 câmeras, força-tarefa e Polícia Federal pra apurar com rigor o caso de adolescentes de família estruturada, e concluiu que não houve crime. Pergunta: que outro adolescente, sem dinheiro, recebe esse nível de apuração antes de ser responsabilizado? A ciência confirma: Nagin e meta-análises com dezenas de estudos mostram que é a certeza da punição que dissuade, não a severidade. Lee & McCrary testaram isso direto na transição pra maioridade nos EUA: os números não caíram quando a pena ficou mais pesada. O problema do Brasil nunca foi pena pequena. É a chance de ser descoberto, que é menor ainda e desigual. Investir em investigação muda o cálculo. Aumentar pena de quem nunca é identificado não muda nada mas você não consegue fazer uma conta de matemática como um adulto

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