Matheus Cunha :
Eu chamo isso de falsa sensação de afeto.
Amor não deveria ser passageiro. Duas pessoas que realmente se amam não deveriam conseguir olhar uma nos olhos da outra e dizer, com tanta convicção, “eu te amo”, quando, no fundo, já não existe amor.
Porque o falso sentimento de amor pode destruir uma das partes.
Amar alguém é muito mais profundo do que simplesmente sentir alguma coisa. É compartilhar a vida, dividir momentos, construir memórias — sejam elas boas ou ruins. É permitir que alguém conheça partes de nós que talvez nunca tenhamos mostrado a ninguém.
E, dentre tudo o que já vivi, talvez uma das coisas mais dolorosas seja perceber o quanto podemos ser facilmente substituídos.
Ser trocado. Ser deixado para trás. Descobrir que aquilo que você acreditava ser único para duas pessoas talvez tenha sido único apenas para você.
E tudo pode começar com uma palavra aparentemente simples: “gosto”.
“Eu gosto de você.”
Uma palavra que, dependendo de como é sentida e interpretada, pode facilmente se disfarçar de amor. Pode parecer afeto. Pode parecer compromisso. Pode parecer que existe algo muito maior sendo construído.
Mas gostar não é necessariamente amar.
E quando confundimos os dois, criamos uma espécie de bola de neve.
Começamos a construir planos em cima de sentimentos que talvez nunca tenham tido a mesma profundidade para os dois. Criamos expectativas, compartilhamos nossa vida, entregamos nossos melhores momentos e, quando percebemos, estamos tentando sustentar sozinhos algo que deveria ser construído por duas pessoas.
Talvez seja isso que mais machuque.
Não descobrir que alguém deixou de amar.
Mas descobrir que talvez nunca tenha amado da maneira que você acreditava.
Porque, quando existe amor, você não está apenas dividindo momentos com alguém.
Você está entregando uma parte da sua história.
E ninguém deveria brincar com aquilo que o outro entregou acreditando que era amor.
2026-10-02 00:36:23