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Tuesday 29 September 2026 21:58:20 GMT
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gualbertoduran45
GualbertoDuran45 :
Hell no. Time to use Amazon Lockers
2026-09-30 10:36:06
22
jjes549
Jjes549 :
Well well well
2026-09-30 14:34:06
8
confused9637
confused :
Ugh
2026-09-30 17:46:27
0
johndoe606
🐊🇱🇹 JD 🇮🇹🐊 :
yeeaahh uuuuuuuu
2026-09-29 22:00:50
2
raycobbjr76
❌⚡️✝️ Ray ✝️ ⚡️❌ :
Always
2026-10-01 03:23:08
0
riverer09
💛💚River💛💚 :
well well well
2026-10-01 12:33:14
1
pogiboss69
Pogiboss :
fatigue
2026-09-30 14:14:39
14
divot12345678
Divot2904 :
The usualS
2026-09-30 14:51:17
1
mutual.abe
Mutual Abe :
this is why I leave Amazon boxes full of dog crap on my porch
2026-10-01 15:51:51
0
jeremydooley856
Jeremy Dooley856 :
people like this should never be able for government assistance
2026-10-01 00:08:53
0
zawaldo21
zawaldo21 :
Fatigue is so real there like holy fucking shit
2026-09-30 18:01:19
0
tropical0723
tropical0723 :
same people
2026-09-30 13:22:26
3
susfellowayo
susfelowayo :
Get a broom to block the camera and take that shi
2026-09-30 02:19:17
0
mike.from.pgh
Mike from Pgh :
Of course both thieves are Black
2026-09-30 11:33:10
5
user1024985273004
Bman :
Not innocent black peoples these videos are fake those fools never do wrong 😂😂😂
2026-09-30 12:04:06
0
surfer4ever3
surfer4ever :
black lives matters right??
2026-09-30 17:23:36
0
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Todo mundo sabe que o cristianismo nasceu dos derrotados, seu fundador foi vítima na cruz. Uma pena que Roma reservava sobretudo ao escravo e ao rebelado. Seus primeiros seguidores recrutados foram o pescador, o coletor de impostos, a mulher sem posição legal, o escravo e o estrangeiro. Tal comunidade foi formada em território ocupado, sob administração militar. Foi daí que Paulo escreveu Filipenses e Filemom, de dentro da prisão. Uma doutrina acompanha o recrutamento. Mateus 5 declara bem-aventurado o pobre, o que chora, o perseguido e o faminto de justiça. Mateus 25 põe no julgamento final o faminto, o estrangeiro, o doente e o preso, porque Cristo é cada um deles. A lista de bênçãos e a de critérios então coincidem, porque ambas são listas de vítimas. Quando Roma executa os cristãos, completa esse desenho, pois fornece à seita os mortos que ela converteria em prova da sua verdade. A derrota material passa então a funcionar como credencial de cristão. E a Igreja vai gastar dezoito séculos para organizar quem entra no seu catálogo de excelência, sempre pelo mesmo critério de vítima. Em Mateus 25, nenhum dos dois grupos reconhece Cristo ali, e por isso ambos perguntam quando te vimos assim, Senhor. A surpresa dos dois lados desarma a leitura apologética segundo a qual os pequeninos seriam apenas missionários da Igreja. Porque ninguém ali pergunta por que aquela pessoa tem fome, ou por que ela está presa. Ou seja, a causa da necessidade não entra nesse critério. Voltando ao catálogo. O primeiro nome foi morto pelas mãos de Roma. É o Martírio de Policarpo, por volta de 155, que já traz o roteiro completo. Seu corpo queimado, descrito em linguagem de oferenda. Os ossos recolhidos, o aniversário celebrado no túmulo. Em 250, sob Décio, os sobreviventes da perseguição reivindicam autoridade para readmitir quem tinha renegado a fé. E Cipriano de Cartago escreve contra isso. Ou seja, o sofrimento já funcionava como título, porque a credencial tinha virado cargo. Com o Edito de Milão, em 313, Roma para de matar cristãos, e o culto fica sem matéria-prima. Sua saída foi transferir a vitimização do algoz para o próprio fiel. Nasce daí o chamado martírio branco. Antão vai para o deserto. Atanásio escreve a Vida de Antão por volta de 360. Jejum, insônia e recusa de sexo passam a valer como execução lenta, agora sem carrasco. Fome, que era desgraça alheia, virou escolha pessoal para santificação. E a perda segue pagando. A categoria seguinte traz de volta o necessitado da lista original. O bispo se firma como amante dos pobres, entre os séculos quarto e sexto, e converte essa função em autoridade sobre a cidade. João Crisóstomo, doutor da Igreja no século IV, sustentava que o altar do pobre vale mais do que o altar de pedra. Faminto e estrangeiro viraram então população administrada. Quem administrava, governava a cidade. Depois vieram as virgens, cuja santidade se mede pela violência que recusaram. Depois, os doutores, formalizados por Bonifácio VIII em 1298. A burocratização acompanha tudo isso, de Alexandre III reservando o reconhecimento ao papa até Francisco criando, em 2017, a oferta da própria vida como via de beatificação. Ou seja, a máquina que Roma acendeu no século segundo ganhou porta nova no século em que estamos. A base de tudo está no modelo de Paulo, o preso do primeiro parágrafo. Em Primeira Coríntios 11 ele manda que o imitem como ele imita Cristo, e a carta aos Colossenses fala em completar na própria carne o que falta às aflições de Cristo. Ou seja, a cruz não termina no Calvário, ela vira tarefa. Dois mil anos de santidade produziram, portanto, um catálogo em que toda excelência exige subtração. Houve mercador e rei canonizados, mas nenhum entrou pelo que acumulou. E sim por aquilo de que abriu mão. Quem hoje lê pobreza como falta de fé, seguindo a teologia da prosperidade importada dos Estados Unidos, está operando contra o pescador, contra o preso, contra a mulher sem posição e contra o estrangeiro que fundaram a coisa toda
Todo mundo sabe que o cristianismo nasceu dos derrotados, seu fundador foi vítima na cruz. Uma pena que Roma reservava sobretudo ao escravo e ao rebelado. Seus primeiros seguidores recrutados foram o pescador, o coletor de impostos, a mulher sem posição legal, o escravo e o estrangeiro. Tal comunidade foi formada em território ocupado, sob administração militar. Foi daí que Paulo escreveu Filipenses e Filemom, de dentro da prisão. Uma doutrina acompanha o recrutamento. Mateus 5 declara bem-aventurado o pobre, o que chora, o perseguido e o faminto de justiça. Mateus 25 põe no julgamento final o faminto, o estrangeiro, o doente e o preso, porque Cristo é cada um deles. A lista de bênçãos e a de critérios então coincidem, porque ambas são listas de vítimas. Quando Roma executa os cristãos, completa esse desenho, pois fornece à seita os mortos que ela converteria em prova da sua verdade. A derrota material passa então a funcionar como credencial de cristão. E a Igreja vai gastar dezoito séculos para organizar quem entra no seu catálogo de excelência, sempre pelo mesmo critério de vítima. Em Mateus 25, nenhum dos dois grupos reconhece Cristo ali, e por isso ambos perguntam quando te vimos assim, Senhor. A surpresa dos dois lados desarma a leitura apologética segundo a qual os pequeninos seriam apenas missionários da Igreja. Porque ninguém ali pergunta por que aquela pessoa tem fome, ou por que ela está presa. Ou seja, a causa da necessidade não entra nesse critério. Voltando ao catálogo. O primeiro nome foi morto pelas mãos de Roma. É o Martírio de Policarpo, por volta de 155, que já traz o roteiro completo. Seu corpo queimado, descrito em linguagem de oferenda. Os ossos recolhidos, o aniversário celebrado no túmulo. Em 250, sob Décio, os sobreviventes da perseguição reivindicam autoridade para readmitir quem tinha renegado a fé. E Cipriano de Cartago escreve contra isso. Ou seja, o sofrimento já funcionava como título, porque a credencial tinha virado cargo. Com o Edito de Milão, em 313, Roma para de matar cristãos, e o culto fica sem matéria-prima. Sua saída foi transferir a vitimização do algoz para o próprio fiel. Nasce daí o chamado martírio branco. Antão vai para o deserto. Atanásio escreve a Vida de Antão por volta de 360. Jejum, insônia e recusa de sexo passam a valer como execução lenta, agora sem carrasco. Fome, que era desgraça alheia, virou escolha pessoal para santificação. E a perda segue pagando. A categoria seguinte traz de volta o necessitado da lista original. O bispo se firma como amante dos pobres, entre os séculos quarto e sexto, e converte essa função em autoridade sobre a cidade. João Crisóstomo, doutor da Igreja no século IV, sustentava que o altar do pobre vale mais do que o altar de pedra. Faminto e estrangeiro viraram então população administrada. Quem administrava, governava a cidade. Depois vieram as virgens, cuja santidade se mede pela violência que recusaram. Depois, os doutores, formalizados por Bonifácio VIII em 1298. A burocratização acompanha tudo isso, de Alexandre III reservando o reconhecimento ao papa até Francisco criando, em 2017, a oferta da própria vida como via de beatificação. Ou seja, a máquina que Roma acendeu no século segundo ganhou porta nova no século em que estamos. A base de tudo está no modelo de Paulo, o preso do primeiro parágrafo. Em Primeira Coríntios 11 ele manda que o imitem como ele imita Cristo, e a carta aos Colossenses fala em completar na própria carne o que falta às aflições de Cristo. Ou seja, a cruz não termina no Calvário, ela vira tarefa. Dois mil anos de santidade produziram, portanto, um catálogo em que toda excelência exige subtração. Houve mercador e rei canonizados, mas nenhum entrou pelo que acumulou. E sim por aquilo de que abriu mão. Quem hoje lê pobreza como falta de fé, seguindo a teologia da prosperidade importada dos Estados Unidos, está operando contra o pescador, contra o preso, contra a mulher sem posição e contra o estrangeiro que fundaram a coisa toda

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