Rafael Belluccii :
Eu votei no 22. Mas pesquisei, vi reportagens, discursos completos e analisei além dos cortes das redes. Repensei: no segundo turno, meu voto será 13. Mudar de opinião faz parte.
Esse voto também honra os mortos da Covid-19 — muitos, indiretamente, pela condução da jair bolsonaro: negacionismo, atraso na vacina e falta de coordenação nacional. Não esqueço as mais de 700 mil vidas. Muitos morreram sufocados, pela falta de ar, e, na minha leitura, isso também é uma forma de tortura. Votar 13 é dizer que essas vidas importam e que não quero esse projeto de volta.
Não ignoro as declarações de Flávio Bolsonaro (PL) em outubro de 2026: usaria a maioria conservadora no Congresso para “mudar a Constituição” e “redemocratizar o país”. Depois, detalhou PECs para restringir decisões individuais do STF e acabar com a reeleição. Isso afeta os Poderes e a vida de muitos.
O plano econômico no TSE prevê enxugamento da máquina pública, privatizações, desestatizações, reformas estruturais e flexibilização de direitos. Entre as medidas, está a desvinculação das aposentadorias do salário mínimo — o valor deixaria de acompanhar os aumentos reais do mínimo, ficando corrigido só pela inflação. Na prática, é um congelamento do poder de compra de milhões de aposentados e pensionistas. Para mim, tudo isso mostra que ele não valoriza o trabalhador: quer flexibilizar direitos, mexer na aposentadoria e deixar quem vive do trabalho ainda mais vulnerável.
No segundo turno, não escolho só um candidato: escolho um projeto de país. Respeito quem vota 22, mas mudei após buscar informação. Meu voto é 13. Democracia é rever, repensar e mudar. Que seja consciente, em paz e em memória de quem não teve essa chance.
2026-10-08 15:40:47