Yussef Baruk :
Ocupar o Executivo não significa deter todo o poder. A influência política vai muito além do governo, do Parlamento e do Senado. As instituições de ensino, as universidades, a imprensa, a cultura e os setores intelectuais também exercem um papel fundamental na formação da consciência coletiva, dos valores e da visão de mundo da sociedade.
O filósofo Antonio Gramsci analisou esse fenômeno por meio do conceito de hegemonia cultural, demonstrando como a influência sobre as ideias e os valores sociais pode contribuir para a manutenção do poder, mesmo sem o controle direto do Estado.
Um partido pode perder as eleições e deixar o Executivo, mas as ideias, as redes de influência e as estruturas culturais construídas ao longo de décadas continuam existindo. Por isso, a alternância de poder não deve ser compreendida apenas como a substituição de um governante por outro. É necessário analisar também como as instituições funcionam, quais interesses influenciam suas decisões e se existe favorecimento político ou ideológico.
No caso do PT, é legítimo investigar sua atuação histórica e suas relações com diferentes setores da sociedade, desde que as conclusões sejam sustentadas por evidências. Afinal, uma coisa é exercer influência ideológica; outra é comprovar o controle institucional de um partido.
O poder não está apenas em quem governa, mas também na capacidade de influenciar aquilo que uma sociedade pensa, ensina, comunica e considera verdade. É por isso que compreender as estruturas de poder exige uma análise muito mais profunda do que simplesmente observar quem ocupa o Executivo.
2026-10-13 23:34:17