Enio Murcia :
Aos 50 anos, meu mundo desabou de uma vez só. Vi o fim de um casamento de 22 anos e a dor do desemprego baterem à porta. Enfrentei o luto devastador de ver alguém que conheci partir para a depressão e o suicídio. Em julho de 2022, meu próprio corpo clamou por socorro: sofri um infarto e passei 35 dias internado. No dia seguinte ao meu aniversário, 30 de dezembro daquele ano, minha mãe desencarnou.
O tempo não me deu trégua. Em 2023, veio a segunda cirurgia no coração e, exatamente no mesmo dia 30 de dezembro, perdi minha irmã. Em 2024, enfrentei a terceira cirurgia cardíaca. Hoje, carrego 8 stents no peito. Fiquei desempregado, trabalhei longe de casa, passei um ano inteiro longe dos meus filhos e não pude ver minhas netas nascerem.
Quando finalmente voltei para minha cidade natal, com a promessa de retornar à grande empresa onde trabalhei por 19 anos, o destino me testou novamente: na primeira semana, sofri um AVC. Recentemente, em 2026, passei mais 23 dias internado por uma grave infecção.
Hoje, estou em recuperação, desempregado e tive o meu benefício negado pelo INSS. Olhando de fora, muitos veriam apenas escassez e dor. Mas quando olho para dentro, vejo a mão de Deus. Meu coração pode ser remendado pela medicina, mas minha alma é blindada pela fé.
Não há vazio que possa apagar a luz de quem acorda todos os dias com o coração transbordando de gratidão. Eu venci a morte, venci o luto, venci a distância. Cada novo amanhecer não é apenas mais um dia; é a prova viva de que Deus ainda tem propósitos grandiosos para a minha vida. Eu sigo de pé.
Por mais difícil que seja, creia, a vida é uma dádiva.
2026-10-14 04:43:02