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O prefeito decretou luto oficial por três dias Hoje Corumbá amanheceu mais triste. Recebi a notícia de que o Dr. Wilson Baruk faleceu. Dr. Wilson era o médico que chamavam quando ninguém mais resolvia. Quando o parto era difícil, quando a mãe ou o filho corriam risco de vida, era ele que socorria. Quantas mil crianças nasceram pelas mãos dele? Quantas vidas ele salvou? Ele partiu idoso, mas continuava trabalhando e atendendo suas pacientes, porque ele era do tempo em que médico se responsabilizava pela vida. Eu conheci ele ainda jovem e ele caminhou comigo em todos os meus filhos. Todos de cesariana. Todos de madrugada. Me lembro quando Ana Flávia ia nascer. Ele me disse: “Vamos marcar para dia 12 de dezembro, é aniversário da minha mãe”. No dia 10 fui ao consultório para confirmar e fazer a última sonografia. Ele me disse: “Não dá para dia 12, o bebê está muito pequeno”. Voltei para casa, porque sempre confiei na palavra dele. Mas dois dias depois, exatamente no dia 12 de dezembro, às 8h da noite, comecei a sentir as dores. E minha menina veio ao mundo no dia 12. O dia que ele havia planejado por causa da mãe dele. Ele até tentou postergar, mas ninguém muda o destino. Ana Flávia nasceu com 3,100 kg. 10 anos depois veio o Arthur. E de novo nossa maratona de pré-natal e longas conversas sobre política. Dr. Wilson gostava de ouvir histórias do tempo do rádio, da política da cidade. Era um homem politizado. No dia 28 de fevereiro de 2006, às 23h, liguei pra ele: “Dr., vai nascer”. Era o último dia de desfile das escolas de samba. Alberto estava no carnaval tocando na bateria com a Ana Flávia. Eu estava sozinha em casa. Tirei o Stephano de um bloco e falei: “Me leva para a maternidade porque o Arthur vai nascer”. Meu anestesista, Dr. Ulisses, estava na casa dele bebendo e chegou mais pra lá do que pra cá. Mas também era meu amigo e coloquei minha vida nas mãos dele. Enquanto cortavam meu abdômen, eu conversava com o Dr. Ulisses que segurava minha mão, e com o Dr. Wilson perguntando sobre política o tempo todo. Meu guri nasceu com 2,9 kg e 49 cm. Depois dos procedimentos ele trouxe e colocou do meu lado e eu o beijei: “Bem-vindo ao mundo”. Já eram quase 5h da manhã e Dr. Wilson continuava lá, conversando comigo. 20 anos se passaram e ele ainda era meu médico de confiança. Ele era aquele tipo de gente que segura na mão, que transmite seriedade no meio do caos, que dá confiança porque sabe o que está fazendo. Tipo de médico que não se faz mais. Descanse em paz, meu amigo. Obrigada por trazer meus filhos ao mundo. Corumbá nunca vai esquecer suas mãos.#MãeDoArthur #homenagempostuma #NotaDeFalecimento
O prefeito decretou luto oficial por três dias Hoje Corumbá amanheceu mais triste. Recebi a notícia de que o Dr. Wilson Baruk faleceu. Dr. Wilson era o médico que chamavam quando ninguém mais resolvia. Quando o parto era difícil, quando a mãe ou o filho corriam risco de vida, era ele que socorria. Quantas mil crianças nasceram pelas mãos dele? Quantas vidas ele salvou? Ele partiu idoso, mas continuava trabalhando e atendendo suas pacientes, porque ele era do tempo em que médico se responsabilizava pela vida. Eu conheci ele ainda jovem e ele caminhou comigo em todos os meus filhos. Todos de cesariana. Todos de madrugada. Me lembro quando Ana Flávia ia nascer. Ele me disse: “Vamos marcar para dia 12 de dezembro, é aniversário da minha mãe”. No dia 10 fui ao consultório para confirmar e fazer a última sonografia. Ele me disse: “Não dá para dia 12, o bebê está muito pequeno”. Voltei para casa, porque sempre confiei na palavra dele. Mas dois dias depois, exatamente no dia 12 de dezembro, às 8h da noite, comecei a sentir as dores. E minha menina veio ao mundo no dia 12. O dia que ele havia planejado por causa da mãe dele. Ele até tentou postergar, mas ninguém muda o destino. Ana Flávia nasceu com 3,100 kg. 10 anos depois veio o Arthur. E de novo nossa maratona de pré-natal e longas conversas sobre política. Dr. Wilson gostava de ouvir histórias do tempo do rádio, da política da cidade. Era um homem politizado. No dia 28 de fevereiro de 2006, às 23h, liguei pra ele: “Dr., vai nascer”. Era o último dia de desfile das escolas de samba. Alberto estava no carnaval tocando na bateria com a Ana Flávia. Eu estava sozinha em casa. Tirei o Stephano de um bloco e falei: “Me leva para a maternidade porque o Arthur vai nascer”. Meu anestesista, Dr. Ulisses, estava na casa dele bebendo e chegou mais pra lá do que pra cá. Mas também era meu amigo e coloquei minha vida nas mãos dele. Enquanto cortavam meu abdômen, eu conversava com o Dr. Ulisses que segurava minha mão, e com o Dr. Wilson perguntando sobre política o tempo todo. Meu guri nasceu com 2,9 kg e 49 cm. Depois dos procedimentos ele trouxe e colocou do meu lado e eu o beijei: “Bem-vindo ao mundo”. Já eram quase 5h da manhã e Dr. Wilson continuava lá, conversando comigo. 20 anos se passaram e ele ainda era meu médico de confiança. Ele era aquele tipo de gente que segura na mão, que transmite seriedade no meio do caos, que dá confiança porque sabe o que está fazendo. Tipo de médico que não se faz mais. Descanse em paz, meu amigo. Obrigada por trazer meus filhos ao mundo. Corumbá nunca vai esquecer suas mãos.#MãeDoArthur #homenagempostuma #NotaDeFalecimento

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