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A indústria de defesa brasileira atingiu, nos anos 80, sob o regime militar, um patamar raro para um país em desenvolvimento: tornou-se um dos principais exportadores mundiais de armamentos convencionais, ocupando consistentemente posições entre o 8º e o 11º lugar nas tabelas do SIPRI, com pico de vendas em 1984-85 na casa dos US$ 200-270 milhões anuais. Liderava o Terceiro Mundo em blindados sobre rodas, a Engesa exportou mais de 1.300 Cascavéis e 600 Urutus para mais de 20 países, inclusive teatros reais como a Guerra Irã-Iraque, e competia em aeronaves leves e sistemas de foguetes da Avibras e Embraer, enquanto a base industrial gerava empregos e tecnologia dual-use que China, Coreia e Vietnã ainda construíam com atrasos. Cinco anos após a transição
A indústria de defesa brasileira atingiu, nos anos 80, sob o regime militar, um patamar raro para um país em desenvolvimento: tornou-se um dos principais exportadores mundiais de armamentos convencionais, ocupando consistentemente posições entre o 8º e o 11º lugar nas tabelas do SIPRI, com pico de vendas em 1984-85 na casa dos US$ 200-270 milhões anuais. Liderava o Terceiro Mundo em blindados sobre rodas, a Engesa exportou mais de 1.300 Cascavéis e 600 Urutus para mais de 20 países, inclusive teatros reais como a Guerra Irã-Iraque, e competia em aeronaves leves e sistemas de foguetes da Avibras e Embraer, enquanto a base industrial gerava empregos e tecnologia dual-use que China, Coreia e Vietnã ainda construíam com atrasos. Cinco anos após a transição "democrática", o mesmo setor estava em ruínas: Engesa falida em 1993, exportações despencando para frações irrisórias, R&D militar paralisado. Não por incapacidade tecnológica, mas porque a nova ordem política tratou o complexo como “militarismo revanchista” e risco de golpe, cortando demanda estatal, bloqueando continuidade de programas e subordinando a autonomia estratégica a uma narrativa de desmilitarização que ignorava a lógica fria de que capacidade industrial é poder de dissuasão e soberania, não propaganda. A Itautec, sob a reserva de mercado, produzia microcomputadores e componentes eletrônicos nacionais nos anos 80, demonstrando que o país dominava etapas de cadeia crítica que poderiam alimentar mísseis e sistemas de controle. Destruir isso sob o pretexto de “perigo” foi escolher dependência externa. O ITA, por sua vez, permanece um enclave de excelência cujo orçamento é irrisório diante do retorno em engenharia aeroespacial e defesa. A recusa em replicá-lo como padrão federal em cada região revela a prioridade real: a “cultura” que celebra o dedinho pro alto, putaria e sacanagem, não a física, a matemática ou a capacidade de projetar e produzir o que garante margem de manobra em crise.

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