Lodi :
Cronica do LODI:
Em Angola parece que estão a normalizar o anormal. Desde quando é que o namoro passou a ser um contrato de patrocínio financeiro?
Se duas pessoas estão a namorar, por que razão um namorado deve sustentar uma namorada? E, pelo mesmo princípio, por que razão uma namorada deve sustentar um namorado? Namoro é um compromisso afectivo ou uma candidatura ao cargo de patrocinador oficial?
Se um adulto saudável é capaz de estudar, trabalhar, sair para festas, viajar, comprar telemóveis de última geração e publicar uma vida de luxo nas redes sociais, também deve ser capaz de assumir as suas próprias responsabilidades. Amor não é sinónimo de financiamento.
Hoje vende-se a ideia de que quem ama paga contas, faz transferências, compra cabelos, unhas, roupas, combustível, renda e ainda deve agradecer pela oportunidade. Daqui a pouco vão criar o Ministério do Namorado Provedor e da Namorada Patrocinadora, com direito a subsídio, décimo terceiro salário e reforma por "serviços prestados ao relacionamento".
Se o relacionamento só funciona enquanto uma das partes paga tudo, talvez não seja amor. É apenas uma assinatura premium com benefícios românticos incluídos.
Namorar é caminhar lado a lado, não carregar outro adulto às costas como se fosse uma responsabilidade financeira vitalícia. Cada um deve ser capaz de sustentar a própria vida; o apoio mútuo deve existir quando necessário e de forma voluntária, não como obrigação.
Mas, pelos vistos, para alguns, o verdadeiro teste de amor já não é o respeito, a lealdade ou o companheirismo. É o saldo da conta bancária.
2026-08-07 05:17:10